• Comando de Rueda e liderança de Pedro Lucas desagradam políticos do União Brasil, que preparam debandada na janela partidária

    Políticos do União Brasil insatisfeitos com o comando do presidente do partido, o advogado Antonio Rueda, preparam uma debandada da legenda durante a janela partidária, que começa no início de março. Parlamentares calculam que pelo menos 20 nomes, entre deputados e senadores, devem abandonar o barco.

    Alguns dos nomes que devem sair são os do líder do partido no Senado, Efraim Filho (PB), além dos deputados Pauderney Avelino (AM), Coronel Assis (MT), Eduardo Velloso (AC), Felipe Francischini (PR), Padovani (PR), Danilo Forte (CE) e Mendonça Filho (PE), entre outros. Eles negociam com partidos como o PL, PSD, Novo e PSDB. O União tem hoje uma bancada na Câmara de 58 congressistas e, no Senado, 5.

    Parlamentares ouvidos pela Coluna do Estadão apontam uma falta de “noção” de Rueda, que, segundo eles, não estaria interessado em fortalecer os quadros do União Brasil nem em “fazer política, mas interessado em fazer negócios”. Procurado, Antonio Rueda ainda não respondeu.

    Condução para vaga ao TCU é ponto de crítica
    Também fazem críticas à liderança de Pedro Lucas Fernandes (MA) na Câmara, que seguiria ordens de Rueda que prejudicam os correligionários. Um dos exemplos citados é a eleição para o Tribunal de Contas da União (TCU), que tem vaga aberta com a aposentaria de Aroldo Cedraz da Corte, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 26.

    O União quer disputar com o deputado Danilo Forte, que já faz até campanha pela vaga, mas Elmar Nascimento (BA) ainda não teria desistido da disputa. Em vez de apoiar um nome interno, Antonio Rueda estaria pressionando a legenda a votar no candidato do PT, Odair Cunha (MG).

    Na última terça-feira, Pedro Lucas desmarcou, a mando do presidente do partido, reunião que selaria um dos nomes à disputa ao cargo, mesmo com os apelos dos deputados para que mantivesse o encontro.

    Partido sem DNA único deixa dirigentes confusos
    O União Brasil foi criado em 2022 da fusão entre o DEM e o PSL, mas os diversos DNAs existentes dentro do novo partido nunca se entenderam. Dirigentes da cúpula partidária apontam que os egressos do DEM seriam os mais “ideológicos”, enquanto os vindos do PSL seriam mais “fisiológicos”. Em nome de um partido grande, teriam aceitado “gente de todas as cores”, o que também se reflete nos estados, onde há alianças regionais tanto com a direita, como com a esquerda.

    A janela partidária é um prazo de trinta dias em que políticos podem trocar de partido sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. (Estadão)

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