• Como foi a reunião no STF que definiu a saída de Toffoli da relatoria do caso Master; leia bastidor

    Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram por cerca de duas horas e meia em clima tenso. Logo no início, o presidente da Corte, Edson Fachin, mencionou o conteúdo do documento da Polícia Federal com citações ao ministro Dias Toffoli, então relator das investigações, no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

    Em seguida, vários ministros defenderam que o colega deixasse o caso como resposta à cobrança da sociedade e como forma de distensionar as pressões sofridas pela Corte como instituição.

    A preocupação dos ministros era que o caso escalasse ainda mais e os ataques ao Supremo aumentassem em ano eleitoral.

    Na reunião, nenhum dos ministros defendeu que Toffoli continuasse à frente do processo. Diante do posicionamento dos colegas, o ministro não insistiu e cedeu aos apelos do colegiado.

    Na elaboração do texto, os ministros incluíram a informação de que o ministro não estava suspeito ou impedido para atuar no processo. Foi feita, ainda, uma ressalva no sentido de que todos os atos dele à frente do processo seriam mantidos.

    Uma eventual declaração de parcialidade de Toffoli para relatar o processo poderia resultar na nulidade das providências tomadas.

    Isso aconteceu quando o STF declarou que Sérgio Moro não tinha isenção para conduzir os processos da Operação Lava Jato, o que culminou na invalidação de decisões tomadas por ele ao longo das investigações.

    Toffoli resistiu em reunião tensa

    A reunião que levou à decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de deixar a relatoria do caso Master foi tensa. Durante quase 3 horas, os 10 ministros da Corte debateram qual seria a melhor saída para o magistrado, após a Pólicia Federal apresentar relatório com conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, no qual foram encontradas menções a Toffoli.

    O presidente do STF, ministro Edson Fachin convocou a reunião publicamente, em sessão desta quinta-feira (12/2). O encontro na sala da presidência começou por volta das 16h40. Fachin apresentou o documento da PF e falou sobre a Arguição de Supeição 244 aberta para investigar o caso.

    A reunião teve um início tenso. Toffoli não queria deixar a relatoria do caso. A defesa do ministro foi de sua imparcialidade na atuação e de que não tinha relação de amizade com Vorcaro. Os colegas insistiram acerca do desgaste. Toffoli demorou para aceitar, mas, por fim, ficou decidido que a saída tinha que ser a pedido, com a retirada da Arguição de Suspeição contra ele.

    Com a saída de Toffoli, ficou decidido que o STF redistribuirá a relatoria do caso para algum dos demais ministros. A decisão foi comunicada por meio de nota, assinada pelos 10 ministros do Supremo. Veja íntegra:

    Nota do oficial dos 10 ministros do STF

    Os 10 Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.

    Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.

    Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.

    Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.

    A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.

    Assinam:
    Luiz Edson Fachin, Presidente
    Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
    Gilmar Mendes
    Cármen Lúcia
    Dias Toffoli
    Luiz Fux
    André Mendonça
    Nunes Marques
    Cristiano Zanin
    Flávio Dino

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