A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a convocação do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), apontado como peça-chave nas investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão da PF e agora será obrigado a depor perante o colegiado.
A convocação ocorre em meio à intensificação das investigações sobre um suposto esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários. Segundo o senador Izalci Lucas (PL-DF), autor de um dos quatro requerimentos aprovados, o deputado maranhense Edson Araújo — que também é presidente licenciado da Federação das Colônias de Pescadores do Maranhão (Fecopema) — seria “um ator central” no esquema, após o Coaf identificar movimentação financeira atípica de R$ 5,4 milhões nas contas da entidade.
Além da convocação, a CPMI autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do deputado e solicitou ao Coaf o envio de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre ele.
Edson Araújo é um dos vice-presidentes da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades investigadas pela PF por descontos fraudulentos em benefícios previdenciários.
Ele também é presidente licenciado da Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão (Fecopema), que tem acordo com Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para tratar de solicitações do seguro-defeso — outro ponto investigado pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Ameaça a parlamentar e pedido de proteção
A decisão também ocorre poucos dias após o vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), relatar ter sido ameaçado por Araújo. Duarte registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara e pediu proteção institucional, o que acirrou a tensão política em torno do caso.
“Núcleo político”
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que as investigações entram agora em uma nova fase, direcionada ao chamado “núcleo político” do esquema. Segundo ele, já foram identificados e presos operadores e servidores envolvidos, e o colegiado passará a votar convocação de políticos sem buscar consenso.
— De agora para frente, vamos entrar no chamado núcleo político (…) colocaremos todos os requerimentos em votação para que o povo brasileiro saiba quem quer ou não trazer para cá as informações — declarou.


