• Delator revela que rede de venda de sentenças no Maranhão tinha vingança e punição

    Um delator na investigação que apura esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) revelou à Polícia Federal (PF) ter sido punido, por vingança, após suspender pagamentos relacionados à compra de sentenças.

    Segundo a versão dele, as medidas teriam sido rapidamente adotadas pelo desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior (foto em destaque), após o delator suspender pagamentos.

    De acordo com as informações apresentadas, o magistrado teria passado a atuar diretamente contra o delator após o rompimento financeiro entre as partes.

    Em um dos episódios citados, em um processo de reintegração de posse, Guerreiro Júnior proferiu decisão liminar favorável a um empresário apenas duas horas após o caso ser redistribuído para sua relatoria.

    Ainda conforme o delator, há indícios de que essa decisão específica teria sido “comprada” mediante a transferência de cerca de 2.000 hectares de terra ao magistrado.

    O relato aponta também que, após a suposta aquisição de decisões judiciais, o delator suspendeu o pagamento das parcelas anuais referentes à compra da propriedade rural.

    A partir desse momento, segundo ele, passou a sofrer uma sequência de decisões judiciais desfavoráveis, proferidas com rapidez incomum e em desacordo com as normas legais.

    Operação, pilhas de dinheiro e bolsas de luxo
    Uma operação foi deflagrada nessa quarta-feira (1º/4). Ao todo, foram apreendidos 26 smartphones e 38 mídias digitais, entre HDs e pen drives. A operação também resultou no sequestro de 20 veículos, avaliados em R$ 13.524.183,00. Além disso, foram confiscados R$ 573.955,00 em espécie e US$ 8.360,00. Entre os itens de destaque, as autoridades apreenderam um helicóptero, bolsas de luxo, joias e acessórios. Os três últimos itens estão avaliados em cerca de R$ 500 mil.

    Dois desembargadores, Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior Júnior, foram afastados.

    Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diferentes estados. As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

    Segundo a investigação, o grupo atuava para direcionar decisões judiciais em processos, com prioridade seletiva e distribuição estratégica.

    A apuração aponta a participação de magistrados, assessores e outros envolvidos, que teriam atuado em conjunto para favorecer partes em disputas milionárias, especialmente ligadas a conflitos agrários.

    A coluna apurou que os alvos da operação foram:

     Antônio Pacheco Guerreiro Júnior – desembargador (afastado)
    Luiz de França Belchior Silva – desembargador (afastado)
    Douglas Lima da Guia – juiz de direito
    Tonny Carvalho Araújo Luz – juiz de direito
    Lúcio Fernando Penha Ferreira – ex-assessor
    Sumaya Heluy Sancho Rios – ex-assessora
    Maria José Carvalho de Sousa Milhomem – assessora
    Eduardo Moura Sekeff Budaruiche – assessor
    Francisco Adalberto Moraes da Silva – ex-servidor do TJMA
    Karine Pereira Mouchrek Castro – ex-assessora
    Ulisses César Martins de Sousa – advogado
    Eduardo Aires Castro – advogado
    Antônio Edinaldo de Luz Lucena – empresário
    Lucena Infraestrutura Ltda – empresa investigada
    Manoel Nunes Ribeiro Filho – investigado
    Aline Feitosa Teixeira – investigada
    Jorge Ivan Falcão Costa – investigado

    Além das buscas, a Justiça determinou prisão preventiva do principal operador do esquema, afastamento de cinco servidores, monitoramento eletrônico de seis investigados, proibição de acesso ao TJMA e bloqueio de bens de até R$ 50 milhões.

    As medidas atingem gabinetes, escritórios de advocacia e empresas. As ações ocorrem em cidades do Maranhão, além de endereços no Ceará, em São Paulo e na Paraíba. Segundo a PF, as penas somadas podem chegar a 42 anos de prisão. (Do Metrópoles)

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