• Lula diz ter aconselhado Moraes a não jogar biografia fora e a se declarar impedido de votar sobre Master

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 8, que disse ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que não deixasse o caso do Banco Master acabar com a “biografia histórica” dele, construída no julgamento dos atos golpistas do 8 de Janeiro. A declaração foi feita em entrevista ao portal de notícias ICL.

    “Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a tua biografia”, repetiu Lula na entrevista sobre o que disse a Moraes.

    O presidente também afirmou que aconselhou Moraes a se posicionar sobre o caso Master e se declarar impedido de votar em julgamentos referentes ao banco liquidado pelo fato de a mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, ter firmado contrato com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

    “Se a sua mulher estava advogando, diga textualmente: ‘a minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença, e eu só prometo que aqui na Suprema Corte, no caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar”, disse Lula.

    “A sua mulher está advogando? Diga textualmente que sua mulher está advogando, ‘eu só prometo que aqui na Suprema Corte ficarei impedido de votar’, qualquer coisa, alguma coisa que passe para a sociedade uma firmeza. Que ele tem”, declarou Lula.

    O presidente disse já ter conversado com os ministros acerca do tema e disse ser necessário dar uma explicação convincente à sociedade. “Essas coisas a gente não joga no tapete achando que o povo vai esquecer.”

    Ele afirmou ter aconselhado o magistrado a não jogar a biografia dele fora por conta dos escândalos que envolvem Daniel Vorcaro e sugeriu que Moraes transmita alguma mensagem de firmeza à sociedade, como a promessa de que se declarará impedido de votar sobre esse caso no STF. “O companheiro Alexandre de Moraes sabe que prejudica a imagem. Você pode ter uma coisa que é legal, mas, nas circunstâncias que acontecem, o povo trata como uma coisa imoral. E num ano politico, em que as pessoas vão dar muito destaque para isso”, afirmou.

    “Vou dizer a vocês o que eu disse para ele: ‘você construiu uma biografia histórica com o julgamento do 8 de Janeiro; não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia'”, completou Lula.

    O escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024 e 2025. O contrato, firmado no início de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos.

    Em nota, o escritório afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.

    Além disso, Moraes e Viviane pegaram ao menos oito voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada a Vorcaro entre maio e outubro de 2025.

    Ainda na entrevista, Lula afirmou que ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto “é a serpente que pôs o ovo” do caso do Banco Master.

    “O Ilan Goldfajn, que era presidente do Banco Central, recusou reconhecer o Banco Master. O Roberto Campos legalizou o Banco Master”, disse o presidente.

    Lula também defendeu seu governo e afirmou que não há limites para a apuração de casos de corrupção, independentemente de quem esteja envolvido, inclusive integrantes da própria administração. Ao comentar o caso Master, o presidente defendeu a aplicação de punições exemplares e ressaltou que todos os envolvidos devem “pagar o preço”, sob o risco de não haver efeito pedagógico no combate à corrupção.

    “E todas as falcatruas que vêm na asa genealógica do Banco Master têm quem? O governo Jair Bolsonaro, o Paulo Guedes e os ministros deles”, continuou Lula. “Só você mostrar que você vai perceber que é uma tentativa de esconder qual é a serpente que pôs o ovo. É o Roberto Campos.”

    Lula criticou ainda a condução da CPI do INSS, ao afirmar que o colegiado não convidou nomes ligados ao governo Jair Bolsonaro e que houve tentativa de politizar a investigação. Ele salientou que o caso foi descoberto por órgãos de controle do governo, citando a atuação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.

    “Eles tentaram fazer uma briga política, porque são dois candidatos a senador, o relator e o presidente. E tentaram envolver todo mundo do nosso lado”, disse o presidente.

    Sobre o caso do Banco Master, disse que não se opõe à instalação de uma CPI, desde que o processo seja abrangente e inclua Campos Neto e diretores da autarquia. Lula também afirmou que delações premiadas são sempre delicadas, pois podem ser “compradas”, ao comentar o acordo em negociação de Daniel Vorcaro.

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