• Michelle leva parecer da PGR a Moraes, se emociona, diz que Bolsonaro não pode dormir sozinho e reforça pedido de domiciliar

    A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro levou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) favorável à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e usou o documento como principal argumento para reforçar o pedido de mudança de regime. Procurados, Michelle e Moraes não comentaram.

    A manifestação da PGR, enviada ao STF nesta segunda-feira, foi a primeira favorável à concessão da domiciliar. No parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que o quadro de saúde de Bolsonaro exige monitoramento contínuo e que há risco de “alterações súbitas e imprevisíveis”. Ele sustenta que o sistema prisional não oferece as condições necessárias para esse acompanhamento e que o ambiente familiar seria mais adequado para garantir a preservação da integridade física do ex-presidente.

    Segundo relatos obtidos pelo GLOBO, Michelle afirmou a Moraes que os fundamentos apresentados pela PGR são válidos e insistiu que Bolsonaro não pode dormir sozinho. Na conversa, voltou a citar episódios recentes de broncoaspiração — que desencadearam o quadro de pneumonia, que levou o marido ao hospital— e disse que já havia feito o alerta ao próprio ministro em encontro anterior, em janeiro. A ex-primeira-dama disse que o risco acabou se concretizando.

    A ex-primeira-dama se emocionou ao falar da rotina da família e tentou sensibilizar Moraes ao detalhar a logística atual para atender o ex-presidente. Disse que prepara quentinhas diariamente, que são levadas por familiares, mencionou a participação do irmão nesse deslocamento e incluiu a filha no argumento de que, em casa, o cuidado seria mais simples e contínuo.

    Interlocutores relatam que Michelle buscou combinar o respaldo técnico da PGR com exemplos práticos da dinâmica familiar. A avaliação dela foi de que a domiciliar não só atenderia às recomendações médicas como também permitiria uma assistência mais próxima no dia a dia.

    A reunião durou cerca de 20 minutos, e Michelle deixou o encontro com a avaliação de que o desfecho poderá ser favorável. Entre aliados, a expectativa é de que a prisão domiciliar seja concedida até o fim da semana, possivelmente antes da alta hospitalar de Bolsonaro, que ainda não tem data definida, mas deve ocorrer em pelo menos três dias uma vez que ele foi transferido para o quarto na noite de segunda-feira. A decisão final caberá a Moraes.

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