• O recuo tático de Tarcísio e o ‘chega pra lá’ de Flávio Bolsonaro em Ciro Nogueira

    Flávio Bolsonaro teve uma conversa duríssima com Ciro Nogueira há alguns dias, classificada por aliados como um “chega pra lá” e até uma “voadora” — retórica, é claro.

    O filho Zero Um de Jair deixou claro que o clã está acompanhando cada passo da articulação do senador nos bastidores para se emplacar como vice de Tarcísio de Freitas para o Planalto, ventilado com o suposto apoio do ex-presidente.

    E deu o recado: “não haverá chapa de direita sem um Bolsonaro” com o aval do pai.

    Hoje, a um ano e alguns dias das eleições, Michelle é tida como a “candidata” mais forte da família para a missão.

    Após o bate-papo nada amistoso, o presidente nacional do PP reduziu suas manifestações públicas e ficou mais recolhido que o de costume nos dias seguintes.

    O recuo tático de Tarcísio

    Tarcísio de Freitas voltou a espalhar em conversas recentes que será candidato à reeleição. A estratégia, segundo um aliado mais do que próximo do governador: vai submergir e negar até dezembro que possa vir a ser candidato a presidente.

    A partir de então, começa a botar a cabeça para fora com força.

    O governador de São Paulo, aliás, se reuniu nos últimos dias com pesos-pesados da Faria Lima.

    Apesar do apoio de líderes do centrão e do empresariado para que se candidate à Presidência já em 2026, Tarcísio de Freitas tem titubeado nesse sentido nos últimos dias, relatam aliados do governador de São Paulo. Esses interlocutores de Tarcísio dizem que ele tem muitos motivos para adiar para 2030 sua entrada na corrida presidencial — motivos que, no entanto, podem ser deixados de lado em uma situação específica.

    Entre essas muitas razões para esperar, a mais forte é o franco favoritismo para mais quatro anos no governo do estado mais rico e populoso do país. A partir dessa condição vêm outros fatores, dizem os aliados de Tarcísio, como a chance de se tornar independente politicamente de Jair Bolsonaro nos próximos quatro anos e consolidar marcas de gestão em oito anos no Palácio dos Bandeirantes.

    Na lista de motivos para postergar a candidatura presidencial também estão vantagens práticas de ordem política, observam esses interlocutores de Tarcísio de Freitas: não enfrentar Lula como incumbente, um páreo duríssimo, e não encarar um cenário de desgaste amplo da direita como o atual — em que Bolsonaro foi condenado por tentar dar um golpe e Donald Trump baixou um tarifaço pelo qual Eduardo Bolsonaro trabalhou arduamente.

    E qual seria o fator pelo qual todas essas ditas vantagens poderiam ser deixadas de lado por Tarcísio?

    Caso Bolsonaro o apoie abertamente, convocando-o a disputar a eleição como seu candidato, dando ao “capita”, como o ex-presidente chama Tarcísio, uma “missão”.

    Pelos lados do centrão, que se empolgou com o projeto Tarcísio-2026, Ratinho Júnior já é considerado como uma possibilidade real de apoio no ano que vem. Os líderes do grupo, no entanto, ainda prefeririam o governador de São Paulo simplesmente por considerarem que ele tem mais chances de vitória contra Lula, que tem se recuperado nas pesquisas.

    Nesse sentido, avalia-se no centrão em insistir na tese de que, para Bolsonaro conseguir algum tipo de perdão por seus crimes, Tarcísio de Freitas é a melhor opção — e exatamente por isso deveria ser apoiado pelo ex-presidente. Sem citar Tarcísio, Ciro Nogueira falou sobre isso nessa sexta-feira, 26, ao responder a um tuíte de Paulo Figueiredo, o escudeiro de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

    “Acho uma crueldade deixar um homem de bem e honesto, como Jair Bolsonaro, preso por muito mais tempo, nas condições de saúde em que está, ameaçando a vida dele, caso a oposição não vença as eleições do ano que vem”, afirmou Ciro.

    O novo lance do balé Bolsonaro-Tarcísio será visto na segunda-feira, 29, quando o governador de São Paulo vai a Brasília visitar o ex-chefe na prisão domiciliar.

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