Rubens Pereira entregou novamente, na noite desta quinta-feira(8), o cargo de secretário de Articulação Política do governo Carlos Brandão.
“Agradeço a Deus pela oportunidade e aos servidores da Secap pelo compromisso inabalável na nossa missão. O momento agora é de reflexão, de congregar esforços em torno do que é o melhor por povo maranhense. Agradeço ao governador pela confiança. Deixo o cargo com o sentimento de dever cumprido, sabendo que fui fiel ao povo maranhense e fiz o que sempre gostei: articulação política. A vida pública requer de nós coerência e compromisso. Por isso, reitero o meu pedido de exoneração da Secretaria de Articulação Política do Maranhão”, publicou.
Rubão já tinha pedido para sair do governo em novembro do ano passado após o episódio do vazamento de áudios e a crise desencadeada em que seu filho, o deputado federal Rubens Pereira Júnior, declarou-se oposição ao governo Brandão em discurso na Câmara.
Rubinho criticou o fato de ter sido gravado, e anunciou, na época, a saída do seu pai, Rubens Pereira, do cargo de secretário de Estado de Articulação Política. De lá para cá, Rubão vinha se mantendo na secretaria, mas, agora, pediu de vez para sair. E deve ser juntar ao filho entorno da candidatura de Felipe Camarão ao governo. Vale aguardar.



Uma resposta
A queda de Rubão: quando a corda arrebenta do lado mais podre
A saída de Rubão do governo Brandão não é fruto de mero capricho palaciano ou de intrigas de bastidores. É, na verdade, o desfecho inevitável de uma gestão marcada por escândalos, favorecimentos e um rastro de corrupção ativa que já não podia mais ser varrido para debaixo do tapete. O pedido de exoneração, ainda que travestido de decisão pessoal, soa mais como uma rendição silenciosa diante da pressão insustentável.
Rubão não caiu por acaso. Caiu porque sabia que sua permanência no cargo estava por um fio — e não um fio qualquer, mas um fio de cabelo de peruca, frágil, artificial e prestes a se romper a qualquer momento. A blindagem política que o sustentava começou a ruir à medida que nomes como Eva Curió e outros assessores próximos foram sendo arrastados para o centro de denúncias gravíssimas de corrupção ativa. A podridão já não podia mais ser contida.
O Palácio dos Leões, que até então fazia vista grossa, foi obrigado a agir. Não por ética, mas por conveniência. A permanência de Rubão se tornara um fardo político pesado demais até para os padrões de um governo acostumado a operar nas sombras. A exoneração, portanto, não é um gesto de nobreza — é um movimento estratégico para tentar estancar a sangria e salvar o que ainda resta de imagem pública.
Mas o povo não é bobo. A saída de Rubão não encerra o problema — apenas escancara o tamanho da podridão que se instalou nos bastidores do poder. E se há justiça, que ela não pare por aqui. Que todos os envolvidos, direta ou indiretamente, sejam expostos, investigados e responsabilizados. Porque o Maranhão não pode mais ser refém de esquemas, conchavos e figuras que tratam o serviço público como balcão de negócios.