Rubens Jr. diz que projeto do PT é Camarão; vice-governador diz que deputado apoiará sua candidatura

O Globo – A participação do vice-presidente nacional do PT Rubens Pereira Júnior em agenda com o pré-candidato ao governo do Maranhão Eduardo Braide (PSD) provocou desconforto na sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido tem o vice-governador Felipe Camarão como postulante ao Executivo estadual, mas enfrenta divisão interna sobre qual caminho seguir no pleito deste ano.

Pereira Junior é vice-líder do governo na Câmara e esteve com Braide no interior do Maranhão no fim de semana. Imagens da agenda com Braide e outros políticos locais foram compartilhadas pelo petista nas redes sociais.

O PT definiu Camarão como candidato ao governo após pressão de aliados do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pelo afastamento do grupo político do atual ocupante do Palácio dos Leões, Carlos Brandão (sem partido). O governador tenta emplacar o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como sucessor.

Integrantes do grupo político próximo ao ministro do STF, que foi governador entre 2015 e 2022, quando teve Carlos Brandão como vice, tentaram formar uma aliança formal com Braide. A prerrogativa para a composição era que o ex-prefeito pedisse voto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que não foi acertado.

Com isso, optaram pelo apoio a Camarão, que é rompido com o atual governador há dois anos. Membros da alta cúpula petista no Maranhão afirmam, reservadamente, que a candidatura de Camarão é resultado de um cenário no qual Lula “não pode dizer não a Dino”. No entanto, há defesa de que o presidente opte por um palanque duplo, apoiando tanto Camarão quanto Orleans Brandão, para assim garantir mais palanques pela reeleição ao Planalto.

Em nota, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reafirma apoio à candidatura de Camarão e aponta que “qualquer outra manifestação vai contra a tática eleitoral decidida pela direção nacional do PT, com total apoio do presidente Lula”.

Pereira Júnior diz que esteve no evento devido à aliança formada com um político local, do município Santa Quetéria.

— O PT definiu pela pré-candidatura de Felipe Camarão. Não há outra discussão neste momento no partido — afirma o deputado.

Um interlocutor da sigla ouvido pela reportagem avalia, entretanto, que a crise causada pelo encontro do petista com Braide é “grande”:

— Rubem Pereira Júnior é vice-presidente nacional do PT por articulação direta do presidente Edinho. Também foi Edinho que, pessoalmente, construiu a opção por candidatura própria no Maranhão. Esse movimento do fim de semana está repercutindo muito.

Disputa eleitoral

A fim de frear os efeitos da polarização entre o PT e o bolsonarismo, Braide tem evitado a nacionalização do pleito. O ex-prefeito de São Luís aparece à frente na Genial/Quaest, de março, com 39% das intenções de voto.

Intelocutores de Braide afirmam que, embora o petista tenha comparecio ao evento, não houve ” declaração de apoio”.

Camarão, por sua vez, defende que não houve aceno petista à candidatura de Braide.

— Isso é coisa de uma cidade. Um líder político local apoiar o Rubens Pereira Júnior à Câmara e um pré-candidato ao governo sem ser do PT — diz Camarão, que completa: — O deputado é vice presidente nacional do PT e apoiará nosso projeto. Até as convenções e registros das candidaturas fatos assim não são incomuns. Na hora da campanha as coisas clareiam mais.

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