
Há um consenso entre aqueles que conhecem Alexandre de Moraes há muito tempo e os que hoje são seus aliados próximos em relação ao comportamento do ministro na sessão de hoje no STF:
Moraes não vai ficar passivo ouvindo relatos — constrangedores para ele — sobre o contrato que sua mulher assinou com o Master ou sobre as 52 trocas de mensagens entre ele e Daniel Vorcaro às vésperas do banco ser liquidado pelo BC.
Nada disso. Ele vai partir para o ataque. Seja defendendo o indefensável, como fez no documento de 44 paginas que enviou a Edson Fachin, em que disse não ter trocado mensagens pelo celular com Daniel Vorcaro: seja tentando misturar o julgamento da tentativa do golpe de estado com o caso Master, conforme o mesmo documento — uma apelação risível, uma tentativa desesperada e mal alambrada de defesa.
Na sessão de hoje Moraes não deve ter como alvo apenas André Mendonça.
Também outros ministros estarão sob sua mira — claro, ministros não alinhados com ele, bem entendido.
Nas palavras de um ministro aliado de Moraes, o magistrado e seu grupo dentro do Supremo estão “pintados para guerra”. A expectativa é de que, para se defender, o ministro ataque Mendonça e outros colegas, trazendo à tona a relação deles com o Master ou Daniel Vorcaro.
“Vai ser uma tragédia. Vão expor as vísceras de alguns ali. Vai ser uma carnificina. Vai ser um show de horrores. O (presidente do STF, Edson) Fachin não vai segurar. Estão pintados para a guerra”, afirmou à coluna, sob reserva, um aliado de Moraes.
A sessão está marcada para começar 10h. O primeiro a votar será Fachin, que assumiu recentemente a relatoria do caso. Moraes e seus aliados, contudo, pretendem apresentar uma série de questões preliminares sobre o rito do processo, antes de o plenário partir para a análise do mérito.
Em resumo, será tiro, porrada e bomba.
