
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira aponta que 37% dos entrevistados consideram que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça é quem tem agido de forma correta no atual embate com o ministro Alexandre de Moraes; outros 16% responderam que Moraes é quem age de forma correta no embate com Mendonça.
O levantamento, contratado pelo GLOBO e pela TV Globo, apontou ainda que 20% dos entrevistados consideram que “nenhum dos dois” tem agido de forma correta, e 25% não souberam responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos.
Há nuances na percepção deste embate de acordo com a identificação política dos entrevistados. Entre os eleitores que se consideram “lulistas”, 34% afirmaram que Moraes é quem tem agido corretamente no embate na Corte, enquanto 12% responderam favoravelmente a Mendonça. Para outros 20%, nenhum dos dois age corretamente. Nesse estrato, 32% não souberam responder ao questionamento feito pela Quaest.
Já entre os eleitores “bolsonaristas” e de “direita não bolsonarista”, há um apoio majoritário a Mendonça, com 58% e 67% dos entrevistados, respectivamente, apontando que o ministro age de forma correta no embate com Moraes.
Entre os eleitores “independentes”, as respostas seguem a tendência geral da pesquisa: 33% afirmam que Mendonça age corretamente, e 13% dizem que Moraes é quem age de forma correta, enquanto outros 23% afirmam que “nenhum dos dois” está correto.
Segundo a pesquisa, 73% dos entrevistados afirmaram saber do atual embate entre Moraes e Mendonça, que envolve a divulgação de mensagens trocadas pelo primeiro com o banqueiro Daniel Vorcaro, em meio às investigações do caso do Banco Master — sob a relatoria do segundo.
Influência no voto
Segundo a pesquisa da Quaest, 67% dos entrevistados disseram que a atual crise do STF “não influencia” sem voto para a Presidência. Já 22% dos eleitores afirmaram que o embate na Corte “reforça a escolha atual”, e apenas 7% avaliam mudar o voto por conta do episódio.
No recorte por identificação política, os eleitores lulistas e da “esquerda não lulista” são os que se dizem menos suscetíveis a mudar de voto por conta da crise no STF: nesses grupos, 84% e 76% dos entrevistados, respectivamente, afirmam que o episódio “não tem influência” sobre seu voto à Presidência.
Entre os eleitores “independentes”, grupo sob disputa na corrida presidencial, 66% afirmam que a crise não tem influência sobre seu voto, e 9% dizem considerar mudar sua escolha à Presidência diante do episódio. Outros 19% afirmaram que o embate atual na Corte “reforça sua escolha atual” para o Palácio do Planalto.
Escalada na crise
Os dados foram coletados em meio ao acirramento de uma disputa entre Moraes e Mendonça, que também transbordou para a corrida presidencial. Nesta terça, o STF marcou sessão para decidir se abre investigação contra Moraes, após um relatório da Polícia Federal, tornado público por Mendonça, apontar diálogos entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro às vésperas de sua prisão em 2025.
Moraes, por sua vez, apresentou um pedido à Corte para abrir investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução do caso do Banco Master. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, agendou a deliberação sobre este pedido para a próxima semana.
Em meio a este acirramento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado se afastar de Moraes, ao mesmo tempo em que critica publicamente a atuação de Mendonça no STF. Já o candidato de oposição Flávio Bolsonaro (PL) vem defendendo o afastamento de Moraes da Corte e busca se aproximar de Mendonça.
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro, em municípios de todo o país. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026. O nível de confiança é de 95%.
