Deputada é eleita presidente da CPI que investigará Felipe Camarão; oposição diz que vai judicializar

Após adiamentos provocados por falta de quórum e conflitos de agenda, foi oficialmente instalada, nesta quarta-feira (6), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) que investigará supostas irregularidades envolvendo a Vice-Governadoria e a Secretaria de Estado da Educação.

A deputada Ana do Gás (Republicanos) foi eleita presidente do colegiado, com seis votos, e ficará responsável por conduzir os trabalhos da comissão. Também com seis votos, o deputado Adelmo Soares (MDB) assumiu a vice-presidência, enquanto o deputado Dr. Yglésio (PRD) foi definido como relator da CPI.

A formação da mesa diretora ocorreu após debates regimentais que chegaram a provocar a saída de parlamentares da reunião. O único voto contrário foi do deputado Rodrigo Lago (PSB), que contestou o processo de escolha e afirmou que pretende acionar o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) para tentar anular a instalação da comissão.

Segundo Lago, o Regimento Interno da Assembleia exigiria o registro prévio das candidaturas com pelo menos uma hora de antecedência, regra que, de acordo com ele, teria sido cumprida apenas por sua candidatura à presidência. O argumento, no entanto, foi rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão.

A CPI foi criada para investigar um possível esquema ilícito envolvendo a estrutura administrativa da Vice-Governadoria, atualmente ocupada por Felipe Camarão (PT), além de eventuais ligações com a Secretaria de Educação e outros órgãos estaduais. O requerimento que originou a comissão aponta indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas e possíveis repasses irregulares.

Durante a instalação, a presidente Ana do Gás destacou que os trabalhos serão conduzidos com responsabilidade e imparcialidade. “A CPI não nasce com o propósito de apontar culpados previamente, mas de ouvir as partes, reunir provas e apresentar respostas à sociedade”, declarou.

A comissão terá prazo inicial de 120 dias para concluir as investigações, podendo ser prorrogado. A próxima reunião está marcada para o dia 13 de maio, quando deverá ser apresentado o plano de trabalho, além das primeiras deliberações, como convocação de depoentes e solicitação de documentos.

Em entrevistas após a reunião, Ana do Gás e Adelmo Soares reforçaram que a prioridade agora será a elaboração de um cronograma de atividades que garanta o andamento das investigações de forma organizada e transparente.

Deixe uma resposta