
O Globo – Líder nas pesquisas de intenção de voto ao governo do Maranhão, o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) anunciou na quinta-feira a composição completa da chapa neste ano. Braide, que tenta evitar a nacionalização do pleito buscando distanciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), dividirá o palanque com apoiadores do petista e do bolsonarismo. Disputarão o Senado o ex-ministro do Esporte no governo Lula André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo).
Fufuca deixou a Esplanada dos Ministérios em abril, após dois anos e sete meses no governo Lula. Meses antes, ele chegou a ser punido pelo PP após contrariar a legenda permanecendo na gestão petista. Mesmo com o ultimato da sigla para que deixasse a pasta, Fufuca foi enfático e disse “estar com Lula”. O desembarque do PP do governo petista fez parte da estratégia do partido para a eleição deste ano.
Já Bonfim tem uma relação de idas e vindas com o bolsonarismo. O ex-prefeito anunciou a desistência da disputa ao governo estadual em junho para disputar o Senado. A candidatura dele ao Executivo era vista pela direita como uma oportunidade de ter palanque no Maranhão.
Bonfim foi candidato ao governo do Maranhão em 2022, quando declarou apoio a Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, Bolsonaro não fez campanha pelo ex-prefeito.
Após a derrota do ex-presidente, Bonfim fez críticas ao antigo chefe do Executivo por aproximações ao Centrão. Nas redes sociais, o ex-prefeito ainda segue membros da família Bolsonaro.
A vice anunciada por Braide é Elaine Carneiro, que é conhecida publicamente como Elaine dos Pneus. A escolha representa um aceno do ex-prefeito ao empresariado na composição da chapa.
O anúncio da chapa provocou reações no campo petista. A senadora Eliziane Gama, que disputará reeleição, criticou a composição e buscou associá-la ao bolsonarismo.
“E a chapa bolsonarista para o governo do Maranhão agora completa”, escreveu na quinta-feira.
Nem esquerda nem direita
Como mostrou o GLOBO no mês passado, Braide não vê vantagem eleitoral em se associar a Lula ou a Flávio no pleito deste ano no Maranhão — ele aparece à frente na Genial/Quaest, de março, com 39% das intenções de voto. Aliados do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tentaram uma aliança com o ex-prefeito para levá-lo ao campo governista, mas o antigo gestor municipal não aceitou pedir voto para o petista.
— O que as pessoas querem saber, hoje, não é quem está do lado de qual político, mas quem está do lado delas, do povo. O Maranhão tem o pior desempenho do país em renda das famílias, no desenvolvimento humano, em adultos com nível superior, em condições das estradas, tudo isso cobrando o maior ICMS do país. Há assuntos muito mais urgentes e muito mais importantes a serem discutidos aqui do que direita e esquerda — diz Braide, que opta por destacar entregas nas áreas de infraestrutura, saúde e educação durante a campanha.
Braide aparece à frente de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (sem partido). Também são pré-candidatos ao Executivo estadual o atual vice-governador Felipe Camarão (PT), o advogado André Luís (Missão), o professor universitário Saulo Arcangeli (PSTU) e o político Enilton Rodrigues (PSOL).
