Sejamos razoáveis: será hora de fazer festa?

Vamos aos fatos: estamos vivenciando a chamada segunda onda de contaminação do COVID-19. O anúncio foi feito pelo secretário de estado da Saúde de nosso estado, Carlos Lula.

Porta-voz da medida de suspensão temporária de eventos, na tentativa de conter a expansão da doença, a notícia saiu como um tiro pela culatra quando vista da perspectiva de que o secretário esteve em eventos políticos durante as recentes eleições. 

Ele errou ao aglomerar no período eleitoral? Sim. Mas um erro não justifica o outro e isso não deveria impedir que tomemos decisões importantes para nossos dias: preservar a maior quantidade de vidas ao nosso alcance.

O vírus tem incubação média de 14 dias. Tivemos aumentos alarmantes de internações pós eleição? Não, até de maneira surpreendente. Quando isso aconteceu, então? É só fazer as contas. O aumento em novembro e dezembro foi pequeno. Mas, em janeiro, a coisa mudou.

Estamos num cenário de alerta e mesmo com a ampliação de leitos na rede pública, a ocupação das UTIs já supera 80%.

Como agir nesse momento? Xingando o Secretário ou admitindo que algo precisa ser feito?

Perdemos milhares de vidas para o vírus, mas vimos um estado que construiu hospitais, aumentou leitos, buscou soluções, valorizou profissionais e teve coragem de enfrentar a mídia e a opinião pública em decisões fortes e necessárias. Muitas vezes antipáticas e impopulares. E foram várias. Mas deram certo. Não dá pra esquecer. 

Se atingimos a marca de mais de 4 mil óbitos, somos o estado com a menor letalidade do país. As ações de enfrentamento desenvolvidas pelo Governo do Maranhão garantiram ao estado o primeiro lugar no ‘Ranking Covid-19 dos Estados’, desenvolvido pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Isso não é pouco. 

Temos que ser justos em reconhecer que estivemos amparados por gente decente. E coerente.

Pessoas que se sacrificaram e ainda estão lá para o que der e vier. Sem família, sem certeza do descanso, mas carregados de esperança e compromisso com a vida.

Antes de proferirmos nosso xingamento no Instagram, deveríamos apenas pensar: será mesmo o momento apropriado para fazer festas? 

Aqui, após meses de embates, hospitais foram fechados e agora reabertos, vidas foram salvas e a rede de saúde é funcional. Desconstruir isso, atribuindo insultos para uma das pessoas que mais salvou vidas nesse estado, é uma completa falta de reconhecimento. Chega a ser injusto. Não precisamos ter políticos de estimação, mas é um grande erro achincalhar gente decente.

Penso nos que foram, nos que superaram e nos dias que virão, concluo: ainda bem que temos Carlos Lula. 

Ele personifica para o bem e para o mal toda essa história narrada. Quando errou, foi vilão. Quando acertou, que foram excessivas vezes, não fez mais do que a sua obrigação. 

Prefiro me apegar aos acertos, pois estes, salvaram Marias, Joãos, Ribamares e cada cidadão que levantou a placa “Eu venci a COVID-19”. 

Ele personifica essa esperança de termos gente decente na linha de frente. Sujeita a erros e acertos, mas em quem podemos confiar. Xinga-lo, antes de refletir nosso próprio comportamento, é apenas mais um dos inúmeros erros que temos cometido nesse período pandêmico.

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