
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o chefe do Executivo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma pessoa “muito volátil”. Em entrevista ao site americano Axios divulgada nesta sexta-feira, Trump disse também que “não poderia se importar menos” com o líder brasileiro. Nesta semana, os dois se encontraram no G7, na França, onde Lula disse esperar que o americano “não se meta nas eleições” do Brasil.
— Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil — afirmou Trump após ser questionado sobre o que definiria um “grande líder”.
Utilizada por Trump, a expressão em inglês “volatile” pode ser traduzida para o português como volátil, instável ou imprevisível.
Trump afirma, em seguida, que “não poderia se importar menos” com Lula:
— Para ser sincero, eu não penso nele (Lula). Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem.
No fim da declaração, Trump pondera e defende que todos os líderes mundiais são “inteligentes”:
—Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi, da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país, mesmo que seja um país pequeno, sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil.
Encontro no G7
Durante o G7, Trump disse que conversou com Lula durante a cúpula e chamou o Brasil de um “país politicamente difícil”. A declaração ocorreu após o americano ser questionado se conversou com o brasileiro sobre o novo tarifaço e a designação das facções Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
O questionamento pela repórter da TV Globo Bianca Rothier, durante uma entrevista à imprensa.
— Sim, eu passei bastante tempo com ele (Lula), na verdade — Trump, que não detalhou o conteúdo da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.
O americano também fez um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.
— Eles (Brasil) jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos.
Ao ser questionado em entrevista coletiva sobre uma declaração de Trump sobre a família Bolsonaro, Lula reagiu:
— Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil. (O Globo)
