• Vereadores de Turilândia(MA) investigados por desvio de R$ 56 milhões ficam em silêncio em depoimentos ao MP

    Os 11 vereadores investigados por participação em um esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 56 milhões da Prefeitura de Turilândia, no interior do Maranhão, foram ouvidos nesta quinta-feira (8) e, segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), optaram por permanecer em silêncio durante as oitivas.

    As audiências foram realizadas por videoconferência, a partir da sede da Promotoria de Justiça de Santa Helena, município vizinho a Turilândia. Os depoimentos foram colhidos por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).

    Prestaram depoimento os vereadores José Ribamar Sampaio; Mizael Brito Soares; Nadianne Judith Vieira Reis; Daniel Barbosa Silva; Savio Araujo e Araujo; José Luis Araujo Diniz; Gilmar Carlos Gomes Araujo; Josias Fróes; Carla Regina Pereira Chagas; Inailce Nogueira Lopes e Valdemar Barbosa.

    As investigações apontam que os parlamentares teriam recebido juntos R$ 2,3 milhões. Entre os que mais receberam, segundo as apurações, estão José Ribamar Sampaio (R$ 405 mil), Inailce Nogueira Lopes (R$ 368 mil) e Mizael Brito Soares (R$ 122 mil), todos do União Brasil.

    Segundo o MP, empresas de fachada foram criadas para participar de licitações fraudulentas. Elas emitiam notas fiscais por serviços que não eram executados, mas pagos pela prefeitura. Em troca, vereadores recebiam dinheiro para não cobrar prestação de contas ou aprová-las sem questionamentos.

    Após serem adiadas duas vezes, as oitivas com o prefeito Paulo Curió e a primeira-dama estão previstas para sexta-feira (9), na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em São Luís.

    Na semana do Natal, 21 pessoas foram presas, incluindo o prefeito, a primeira-dama e todos os vereadores da cidade. Os vereadores estão em prisão domiciliar, enquanto os demais investigados permanecem no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

    Vereadores ficaram em silêncio em depoimento


    De acordo com o MPMA, todos os parlamentares exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio durante as oitivas. Os depoimentos ocorreram na Promotoria de Justiça de Santa Helena, para onde os investigados foram deslocados a pedido do Ministério Público.

    Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), dos investigados, apenas Gerusa prestou depoimento e negou participação no esquema. De acordo com as investigações, ela auxiliava na gestão financeira dos recursos desviados e ocultava a não realização de contratos firmados entre a Prefeitura de Turilândia e as empresas envolvidas.

    Também foram ouvidos:

    • Eustáquio Diego Fabiano Campos. Ele é médico neurocirurgião e segundo o Ministério Público, atuava como agiota e emprestava dinheiro para campanhas políticas;
    • Clementina de Jesus Pinheiro – pregoeira do Município de Turilândia;
    • Wandson Jonath Barros – contador do município e apontado como controlador financeiro dos desvios, segundo o MP;
    • Janaína Soares Lima – ex-vice-prefeita de Turilândia. Segundo o MP, ela é uma das proprietárias do Posto Turi que teria recebido mais de R$ 17 milhões entre 2021 e 2025.
    • Marlon de Jesus Arouche Serrão – marido da ex-vice-prefeita e proprietário do Posto Turi.
    Da esquerda para a direita – Eustáquio Diego Fabiano Campos (médico); Gerusa de Fátima Nogueira Lopes (chefe do Setor de Compras); Wandson Jonath Barros (contador); Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira (pregoeira do Município); Janaína Soares Lima (ex-vice-prefeita) e Marlon de Jesus Arouche Serrão (marido da ex-vice-prefeita). — Foto: Reprodução/TV Mirante

    Investigação aponta estrutura criminosa em Turilândia
    De acordo com decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), a investigação revelou uma organização criminosa estruturada dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal de Turilândia. O grupo teria desviado recursos principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social, utilizando empresas fictícias para emitir notas fiscais sem a correspondente prestação de serviços.

    Segundo o MP-MA, foram desviados mais de R$ 56 milhões por meio de empresas criadas de forma fictícia pelo prefeito e seus aliados. O grupo atuava de forma hierarquizada, com divisão clara de tarefas entre agentes políticos, operadores financeiros e empresários.

    Há indícios de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido durante a gestão do prefeito Paulo Curió, entre 2021 e 2025.

    Prisões e afastamentos na Operação Tântalo II
    A Operação Tântalo II levou à prisão do prefeito Paulo Curió e da vice-prefeita Tânia Mendes. Dez vereadores e um ex-vereador também são investigados. Cinco deles se entregaram à polícia e tiveram as prisões convertidas em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

    Os vereadores presos são:

    Gilmar Carlos (União Brasil)
    Savio Araújo (PRD)
    Mizael Soares (União)
    Inailce Nogueira (União)
    Ribinha Sampaio (União)

    Mudança no comando de Turilândia
    Com o afastamento de Paulo Curió e Tânia Mendes, o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz (“Pelego”), assumiu interinamente a Prefeitura, mesmo cumprindo prisão domiciliar. A vice-presidente da Câmara, vereadora Inailce Nogueira Lopes, passou a comandar o Legislativo municipal. (G1MA)

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