Bolsonaro volta a defender ‘apuração paralela’ e evita responder o que fará caso TSE não aceite sua sugestão

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira a adoção de um sistema de apuração paralelo nas eleições deste ano. Bolsonaro evitou responder, no entanto, o que fará caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não aceite essa sugestão.

— Nós temos muito tempo pela frente…Eu vou dar golpe em mim mesmo, é isso? Eu vou dar autogolpe? — disse ele, durante visita a um posto de gasolina em Brasília.

Bolsonaro também foi questionado por jornalistas sobre a defesa ao sistema eleitoral brasileiro feito pelas embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido. A embaixada americana afirmou que as eleições brasileiras são “modelo” para o mundo e a do Reino Unido reafirmou sua confiança no processo eleitoral brasileiro. Bolsonaro, no entanto, não respondeu.

— Tem embaixador americano no Brasil? Não. Então você não pode falar de embaixadas — disse o presidente.

Embora não haja um embaixador no Brasil, o país foi representado, na reunião com Bolsonaro, pelo encarregado de negócios Douglas Koneff. Até que seja indicado um novo representante por Washington, Koneff estará à frente do posto em Brasília.
Bolsonaro também afirmou que continua a negociar para que as sugestões das Forças Armadas sobre o sistema eleitoral sejam acatadas pelo TSE.

— Continua a negociação. Olha só, o que é natural? Se lá diz que não tem problema, porque não fala ‘FFA, traga seus técnicos para cá, vamos conversar com nossos técnicos’ — disse.

Militares fazem parte da Comissão de Transparência Eleitoral (CTE), apresentando sugestões. Embora nunca tenha ocorrido um só caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas em mais de 20 anos de uso, o presidente Jair Bolsonaro tem utilizado questionamentos feitos pelos militares ao tribunal para lançar suspeitas, sem provas, acerca do processo eleitoral.

Ao contrário do que afirma o presidente, o TSE já respondeu aos questionamentos enviado pelos militares. Em documento formulado em sete pontos, a Corte rebateu as recomendações dos militares, tratadas como “opiniões” no documento, diz que centralizou equipamentos que totalizam os votos em Brasília por sugestão da Polícia Federal, além de negar a existência de uma “sala escura” de apuração, termo usado pelo presidente Jair Bolsonaro quando sugeriu uma contabilização paralela dos votos por parte das Forças. (O Globo)

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