Corte e criação de ministérios, conflito de interesse e drone contra o feminicídio: a entrevista de Augusto Cury à Globo em cinco pontos

No última dia da série de entrevistas da TV Globo com os candidatos ao Planalto, o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) se colocou como alternativa à polarização entre esquerda e direita, falou em cortar ministérios e criar novos ao mesmo tempo, sugeriu ampliar o Bolsa Família mesmo para quem já tem emprego e propôs a contratação de influenciadores digitais em embaixadas para “vender” o Brasil para o mundo.

Na entrevista, Cury ainda mencionou o uso de drones e aplicativo para reduzir a violência contra as mulheres, negou conflito de interesses por propor uso massivo de telemedicina na saúde pública e ser embaixador de empresa que oferece o serviço, e prometeu criar 10 milhões de novos microempreendedores para ampliar a arrecadação de impostos.

Veja a seguir os principais pontos da entrevista:

1. Bets e microempresas

Indagado sobre suas soluções para conter o crescimento da dívida pública, Cury defendeu o incentivo para criar 10 milhões de novas microempresas “para aumentar a massa de pagamento de impostos”, a revisão de 50 mil cargos comissionados, e incluir de 10 a 15 milhões de pessoas no Bolsa Família “com a possibilidade de ter uma segunda renda sem perder o benefício”. Outra solução para melhorar a situação orçamentária dada pelo candidato do Avante foi a taxação de bets em pelo menos 50%.

— Eu taxaria as bets seriamente. Sabe quanto as bets pagam de imposto? Pagam 12%. Alimento, 18%. E, por incrível que pareça, luz, 30%, 33%. E deveríamos taxar as bets em pelo menos 50%, nós vamos ter uma economia muito grande. Talvez 40% a mais em relação aos 12% (atuais), 52% seria uma taxação razoável — propôs.

2. Mais ou menos ministérios?

Ainda como maneira de contenção de despesas, o candidato propôs cortar de oito a dez ministérios como solução para cortar despesas, mas ao mesmo tempo defendeu a criação de um ministério de Robótica e Inteligência Artificial e um ministério da Segurança Pública. Ele não disse quais seriam cortados e afirmou que isso está “em estudos”.

Questionado sobre a possível incoerência, Cury então disse que a parte da robótica poderia ser uma secretaria executiva. Em relação à pasta da segurança, sugeriu que seu adversário, Ronaldo Caiado (PSD) “assumiria esse ministério”.

— Reduziria de oito a dez ministérios. É possível fundir ministérios e otimizar os gastos. O mundo vai virar de cabeça para baixo em quatro ou cinco anos, vamos ter um ministério ou uma secretaria executiva de robótica e inteligência artificial para usarmos esses elementos para neutralizamos a perda do bônus demográfico, tem muito menos gente nascendo e mais gente envelhecendo — falou.

3. Proteção às mulheres

Como forma de reduzir o feminicídio e a violência contra as mulheres, Cury sugeriu investir em drones e aplicativos. Segundo ele, os drones só seriam possíveis em delegacias de cidades maiores, mas sem explicar exatamente como eles seriam efetivos considerando que a maior parte da violência contra as mulheres ocorre no ambiente doméstico. Já os aplicativos, disse Cury, seriam uma espécie de linha direta imediata de mulheres que estão sofrendo violência com as forças de segurança pública.

— Uma mulher se sente ameaçada, ela toca o dedo no botão de alerta e gera um dado georreferenciado para que o agente de segurança possa socorrê-la — falou — Os drones, só as cidades maiores. Se aciona na delegacia, (o drone) sai da delegacia antes do policial e faz uma sirene de alerta, e isso pode evitar que o predador possa matá-la ou agredi-la.

4. Influenciadores nas embaixadas

Cury defendeu a contratação de influenciadores pelo governo federal nas embaixadas pelo mundo para “vender” o Brasil, ou que os integrantes das embaixadas sejam treinados por criadores de conteúdo com esse fim. Segundo ele, atividades mais “importantes”, como negociações econômicas com outros países, como no caso da crise diplomática com os Estados Unidos, permaneceria sob a tutela do Itamaraty.

– O agricultor é vendido lá fora como um vilão, e nós temos o Código Florestal mais rígido do mundo. Temos que vender o país como supermercado do mundo, não só como celeiro. Precisamos repaginar as embaixadas brasileiras e influenciadores digitais podem ser importantes. Nós não conseguimos vender o país de maneira adequada porque é uma guerra interminável de ego. Eu quero pacificar esse país para acabar com essa guerra da polarização que está adoecendo a todos — disse.

5. Telemedicina em massa no SUS

Para a saúde, a principal proposta do candidato do Avante foi “construir a melhor telemedicina do mundo”, usando as consultas remotas para todas as especialidades. Segundo ele, seria possível atender 80% dos casos do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda que o Conselho Federal de Medicina (CFM) aponte que esse tipo de solução nunca vai substituir completamente o atendimento presencial.

— O Conselho Federal de Medicina precisa ser atualizado, há uma revolução tecnológica sem precedentes. As pessoas que estão na periferia precisam ser atendidas rapidamente, é melhor que nós façamos uma telemedicina, do que fazer com que a pessoa demore dezenas de dias para ter uma consulta — afirmou.

Indagado se não haveria um conflito de interesses, já que ele próprio é embaixador de uma empresa de telemedicina, ele falou que não tinha mais esse papel, ainda que a informação constasse de seu site oficial. Informado sobre isso pelos jornalistas Cesar Tralli e Renata Vasconcelos, ele disse que tiraria a informação de seu site “imediatamente”.

— Representa que eu já tive experiência aplicando nessa telemedicina, que não tenho mais nenhuma relação — falou.

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