Em carta, Roberto Jefferson fala em ‘não perdoar traidores’ e sugere rompimento com Bolsonaro

Em prisão domiciliar, Roberto Jefferson elevou o tom em nota encaminhada ao diretório nacional do PTB e interpretada por correligionários como um recado tanto a integrantes da sigla como a Jair Bolsonaro e até aos ministros do STF. Dirigentes do partido avaliam que se caminha para um rompimento dele com o presidente da República.

No texto, Jefferson sugere que os “traidores” não devem ser perdoados e afirma que “os tiranos vencem quando nos impõem a auto-censura comum aos pusilânimes”. Impregnado por citações bíblicas, ironizou integrante do Supremo, citando nominalmente Alexandre de Moraes – a quem se referiu como Xandão -, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.

“Ai meu Deus, o que o Xandão pode pensar, falar ou fazer?! Ai meu Deus, que medo do Fachin! Ai meu Deus, que medo do Barroso! Quem agir assim contaminou-se com o vírus da paúra e da covardia”, escreveu Jefferson.

O ex-deputado foi preso em agosto do ano passado justamente por atacar as instituições, incluindo o STF. A ex-deputada Cristiane Brasil, sua filha, admitiu recentemente a possibilidade de pedir a Bolsonaro que conceda indulto a seu pai. Mas há um sentimento de abandono por parte do presidente da República.

Jefferson foi enfático em suas palavras ao dizer que “não há lugar no PTB para covardes e traidores”. E emendou: “Colocamos para correr a Jezabel loura e sua súcia de canalhas. Ainda há espinhos em nosso canteiro, vamos arrancá-los”.

Dentro da legenda, há quem entenda como uma sinalização de rompimento com Bolsonaro, seu antigo aliado. Jefferson, no entanto, já havia acusado de traição, por exemplo, a ex-presidente do partido Graciela Nienov. Em carta escrita da penitenciária de Bangu no ano passado, também afirmou que o chefe do Executivo e seu filho 01, Flávio, se viciaram em dinheiro público.

Leia o texto na íntegra:

O perdão aos traidores e aos tiranos resulta em perversidade aos inocentes e aos justos.

A benevolência excessiva é covardia. Não nos é permitido o tempo todo perdoar. Pais os que assim agem levam seus filhos ao abismo, pois falta-lhes a correção e a disciplina.

Na República há os tiranos, há os traidores, há os cruéis, esses não podem ser perdoados, sob pena de sucumbirmos em nossas fraquezas e temores.

O medo não pode paralisar os homens, pois sua maior virtude é a coragem, sem a qual todos os seus valores fracassam.

Os tiranos vencem quando nos impõem a auto-censura comum aos pusilânimes. Ai meu Deus, o que o Xandão pode pensar, falar ou fazer?! Ai meu Deus, que medo do Fachin! Ai meu Deus, que medo do Barroso! Quem agir assim contaminou-se com o vírus da paúra e da covardia.

Não nos interessa no PTB uma pletora de covardes. Melhor 300 valentes do que 32 mil medrosos, foi a lição do Senhor a Gideão. Os 300 valentes de Gideão derrotaram 150 mil midianitas e amalequitas. Leônidas com 300 matou 8 mil persas no desfiladeiro das Termópilas- Portões Quentes- sendo derrotado pela traição de um dos seus.

Não há lugar no PTB para covardes e traidores. Colocamos para correr a Jezabel loura e sua súcia de canalhas. Ainda há espinhos em nosso canteiro, vamos arrancá-los.

“Se alguém não cuida dos da sua casa, especialmente de sua própria família, negou a fé, é pior do que o incrédulo “. 1 Timóteo 5:8

Se não protegemos os nossos como protegeremos o povo que queremos representar? Esse é o princípio da honra. Honrar pai e mãe. Se me deixo pautar pelo vizinho contra meu lar, que homem sou?

Covardes morrem todos os dias, morrem angustiados e aos poucos. Os heróis só morrem uma vez.

Deus é nossa Rocha e Fortaleza.

Nossa Força e Vitória é Jesus.

(Atualização, às 17h30: A Executiva do PTB Nacional enviou uma nota negando que a carta tenha sido escrita e enviada por Jefferson. Afirmou ainda que o partido “jamais rompeu com Bolsonaro” e que “reitera seu apoio ao presidente da República na luta por sua reeleição”. A coluna mantém as informações publicadas e acrescenta que a carta foi compartilhada pelo número de Ana Lúcia Jefferson, mulher de Roberto, em um grupo de WhatsApp do PTB.)

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