
Governador afirma ser alvo de perseguição e diz ter confiança de que a verdade prevalecerá; decisões de Flávio Dino, no STF, tornaram públicas peças de investigações que envolvem aliados, familiares e pessoas ligadas ao governo do Maranhão
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), reagiu nesta sexta-feira (14) à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retirar o sigilo de decisões relacionadas a investigações que envolvem o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-secretário Raimundo Cutrim, um agente da Polícia Federal e fatos relacionados ao chamado caso Tech Office.
Em manifestação divulgada após a repercussão das decisões, Brandão afirmou que as acusações contra ele são falsas e classificou o episódio como uma perseguição que, segundo o governador, teria origem em 2024.
“Falsas acusações não cabem a quem não tem culpa. Vê-se a reedição do roteiro de um assassinato e muitas outras inverdades sendo propagadas contra mim. Essa perseguição tem origem em 2024, quando rechacei propostas indecorosas. Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá.”
A decisão de Flávio Dino tornou públicas peças que estavam sob sigilo e que reúnem informações de diferentes investigações. Ao todo, são mais de uma centena de páginas de documentos que passaram a estar disponíveis para consulta.
Nesta sexta- feira (14.ago.2026), Dino tornou pública as decisões que autorizaram as medidas da PF:
3.jun.2026 – medidas contra agente investigado por vazar informações. Eis a íntegra;
14.jul.2026 – prisão domiciliar de Raimundo Cutrim. Eis a íntegra;
1.ago.2026 – irregularidades nas emendas parlamentares. Eis a íntegra.
Entre os documentos tornados públicos estão decisões relacionadas à investigação sobre uma possível interferência em um processo que tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que envolve a situação de Gilbson Cutrim, condenado pelo assassinato de João Bosco, em 2022, no caso conhecido como “Tech Office”.
Segundo informações atribuídas à Polícia Federal nos documentos, o senador Weverton Rocha teria mantido contatos com o ministro Humberto Martins, do STJ, responsável por processo relacionado à execução penal de Gilbson.
A investigação apura se houve tentativa de influência para favorecer a progressão do regime de Gilbson para o semiaberto. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.
O caso ganhou repercussão porque a investigação também menciona a presença do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, no contexto dos acontecimentos relacionados ao homicídio.
Segundo o relatório policial citado nas decisões, a presença de Daniel Brandão no local do crime teria sido um dos elementos que despertaram questionamentos dos investigadores.
Outro núcleo das apurações envolve o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim, que, segundo a investigação, teria realizado um pagamento de R$ 160 mil à família de Gilbson.
A Polícia Federal interpreta o episódio como possível tentativa de impedir ou dificultar uma eventual colaboração do investigado com as autoridades.
Cutrim está em prisão domiciliar por determinação de Flávio Dino e também é investigado por outros fatos relacionados ao caso.
A defesa do ex-secretário, por sua vez, afirmou que não teve acesso integral à representação apresentada pela Polícia Federal.
As peças divulgadas pelo STF também tratam da investigação envolvendo um agente da Polícia Federal que teria utilizado informações sigilosas para tentar influenciar familiares de Gilbson.
De acordo com a investigação, o policial teria utilizado informações obtidas em razão do cargo para tentar fazer com que o investigado desistisse de uma postura colaborativa com as autoridades.
O episódio integra outro conjunto de medidas autorizadas pelo ministro Flávio Dino.
As decisões tornadas públicas também fazem referência a investigações envolvendo emendas parlamentares e supostos desvios de recursos.
Nesse contexto, aparecem informações relacionadas ao ex-deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que já foi alvo de decisão da Primeira Turma do STF em processo envolvendo irregularidades relacionadas a emendas.
Os documentos divulgados integram diferentes procedimentos que passaram a ter suas informações disponibilizadas publicamente por determinação do ministro Flávio Dino.
Ao comentar a divulgação das investigações, Carlos Brandão rejeitou as acusações e afirmou que está sendo alvo de uma tentativa de associá-lo a fatos criminosos sem fundamento.
O governador também criticou a atuação de pessoas que, segundo ele, estariam promovendo uma perseguição política.
Brandão afirmou ainda que a origem dessa perseguição estaria em episódios ocorridos em 2024, quando, segundo sua própria versão, teria recusado “propostas indecorosas”.
Ao final da manifestação, o governador declarou confiança no esclarecimento dos fatos:
“Tenho confiança de que a verdade prevalecerá.”
A divulgação dos documentos pelo STF amplia o acesso público às decisões e aos elementos apresentados nas investigações. As acusações e suspeitas mencionadas nas peças ainda dependem do andamento das apurações e das manifestações das partes envolvidas.
O caso segue sob análise no Supremo Tribunal Federal e poderá ter novos desdobramentos a partir do avanço das investigações.
