Festival AYÓ 2026 celebra a cultura negra e afro-brasileira em São Luís

O Festival AYÓ 2026 é uma realização do Instituto Cultural Pé no Chão e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Vale e apoio da Prefeitura de São Luís e da Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR). O evento acontece nos dias 30 e 31 de julho, na Praça das Mercês, em São Luís, transformando o Centro Histórico em um grande encontro de celebração da cultura negra maranhense e afro-brasileira.

Mais do que um evento cultural, AYÓ é um território de encontro onde música, formação, economia criativa e ancestralidade se unem para celebrar histórias, pertencimento, memória e os futuros que construímos coletivamente. Em sua terceira edição, reafirma o compromisso com a democratização do acesso à cultura, o fortalecimento do protagonismo negro e a valorização das expressões culturais que fazem do Maranhão um dos mais importantes territórios da presença africana no Brasil.

AYÓ nasceu do desejo de criar um espaço onde artistas negros, fazedores de cultura e diferentes gerações pudessem se encontrar em torno da música, dos afetos e das experiências que constituem a cultura negra maranhense.

“Reuni amigos artistas negros para festejar e fazer um som. Dali nasceu o sonho de construir algo maior, um espaço que fosse celebração, formação, afeto e pertencimento”, afirma Andrea Frazão, presidenta do Instituto Cultural Pé no Chão, idealizadora e produtora do projeto.

Antes da programação principal, AYÓ inicia seus caminhos pelas escolas públicas de São Luís com duas oficinas culturais realizadas em junho. No dia 23, estudantes da Unidade Integrada Severiano de Sousa, no Anjo da Guarda, participam da oficina Sotaque de Zabumba, conduzida por Tayna Redondo, das Zabumbeiras MA. No dia 25, a UEB Ministro Henrique de La Roque, na Vila Embratel, recebe a oficina Sotaque de Matraca – Pandeirão, ministrada pelo percussionista Kayk Ferreira. As atividades integram o eixo formativo do projeto e fortalecem o encontro entre juventudes e patrimônios vivos da cultura popular maranhense.

Ao longo dos dias 30 e 31 de julho, artistas, grupos culturais, empreendedores e o público compartilharão experiências marcadas pela diversidade sonora, pela ocupação dos espaços públicos e pela potência criativa afro-brasileira contemporânea.

A programação musical reúne artistas maranhenses e convidados que dialogam com diferentes expressões da música negra. No segundo dia, Sandra de Sá, uma das vozes mais importantes da música brasileira, sobe ao palco em um show especial que celebra sua trajetória marcada pela força, resistência e afirmação da identidade negra.

Além dos shows, AYÓ contará com uma Feira Afro, espaço dedicado à moda, ao artesanato, ao design autoral, à gastronomia e a outras iniciativas ligadas à economia criativa negra, fortalecendo a circulação cultural, a geração de renda e a valorização dos saberes tradicionais.

Para Andrea Frazão, AYÓ é também uma forma de reconhecer a força criadora que habita os territórios e as tradições culturais do Maranhão.

“As raízes carregam a memória da nossa terra. A cultura negra no Maranhão se fortalece no invisível: nas vozes dos nossos mestres e mestras, no toque dos tambores, nas rodas de samba, nos paredões das radiolas, nos territórios e nos encontros que mantêm viva a nossa história.”

Chegando à sua terceira edição, AYÓ consolida-se como uma importante plataforma de valorização da cultura negra no Maranhão. A primeira edição aconteceu no Convento das Mercês e a segunda, intitulada Rota Quilombola, foi realizada na sede do Bumba Meu Boi de Leonardo, na Liberdade, território simbólico da resistência e da cultura afrodescendente em São Luís.

“Celebrar a cultura negra no Maranhão é reconhecer uma herança presente em nossa música, em nossos modos de viver, criar e festejar. É reafirmar a importância dos artistas, mestres e mestras que mantêm vivas essas tradições e mostrar que a cultura negra não pertence apenas ao passado. Ela é presente, criação, inovação e futuro”, destaca Andrea.

Inspirado pela ideia de que da raiz nasce o futuro, AYÓ compreende a ancestralidade como força criadora. Mais do que um festival, é um espaço onde tradição e contemporaneidade dialogam por meio da música, da arte e dos encontros, tendo como cenário São Luís, cidade marcada por ritmos, encantarias e pela profunda herança afro-brasileira.

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