
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas nesta terça-feira (27/10).
A fuga, segundo apurou a coluna, foi organizada por Flávio de última hora com a ajuda de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos para evitar vazamentos. Flávio Bolsonaro é investigado junto ao advogado e amigo Willer Tomaz por suposta lavagem de dinheiro.
Flávio estava sumido desde a manhã desta terça-feira. A última mensagem foi enviada às 8h, para Rogério Marinho, que foi coordenador da campanha do presidenciável. O senador disse que estava “esfriando a cabeça”, mas não respondeu se havia deixado o Brasil.
Aos aliados no Brasil, coube operacionalizar a saída do senador do país. Já os que moram nos Estados Unidos ajudaram a garantir a entrada de Flávio em território americano.
A previsão, segundo aliados do senador, é de que ele entre nos Estados Unidos pelo estado da Flórida, na tarde desta terça-feira (27/10). O governo Donald Trump já foi avisado.
Aliados de Flávio informaram à coluna que o senador brasileiro entrará oficialmente com um pedido de “asilo político” junto ao governo Trump assim que chegar ao território americano.
Nos Estados Unidos, Flávio deve ser recebido por bolsonaristas que moram lá. A previsão é de que Eduardo Bolsonaro (PL) se encontre com o irmão na Flórida, na quarta-feira (28/10).
O senador não reconheceu a derrota para Lula, mas desistiu de protocolar ação pedindo a anulação da eleição devido ao prolongamento do horário de votação no domingo —apenas 0,03% dos votos foram registrados no período extra de duas horas, determinado pela Justiça devido à falta de ônibus em várias cidades.
Segundo a versão desses aliados de Flávio, a decisão foi tomada na segunda (26), após o ministro do Supremo Alexandre de Moraes mandar recolher os passaportes brasileiros e o italiano do senador, que tem cidadania do país europeu.
Flávio é investigado em duas ações criminais, sob suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito do caso do Banco Master e dos desvios no INSS. A partir de fevereiro, quando deixará o mandato de senador pelo Rio, ele perde o foro privilegiado no Supremo.
Nesta terça, a Polícia Federal cancelou o documento brasileiro de Flávio após o senador não cumprir a decisão judicial. Mas a identidade italiana segue válida. A PF emitiu um alerta para vigiar as fronteiras, mas pode ter sido tarde.
O caminho exato do ex-candidato é incerto. Na versão desses aliados, o senador viajou a partir da Argentina, mas não de Puerto Iguazú, onde um avião executivo Gulfstream tinha seu nome na lista de passageiros, mas não decolou.
O governo do aliado Javier Milei, presidente que participou do lançamento da campanha de Flávio, disse não ter registro da entrada do político no país. Se ela ocorreu mesmo, ou ocorreu de forma clandestina, ou a Casa Rosada mentiu.
A presença do nome de Flávio foi, segundo essa versão, um despiste. Ele decolou, sempre de acordo com esses aliados, de outro ponto da Argentina.
As pessoas com quem a Folha conversou não sabem dizer para onde o primogênito de Jair Bolsonaro vai, mas é possível que se reúna na Flórida com seu irmão Eduardo (PL-SP), ex-deputado que está desde o ano passado nos EUA, tendo sido condenado à prisão pelo Supremo.
De lá, Eduardo comandou uma campanha contra o Brasil junto ao governo Donald Trump, presidente aliado dos Bolsonaros.
O republicano não chegou a endossar publicamente a candidatura de Flávio e diz gostar de Lula, apesar dos atritos. Na segunda, contudo, disse de forma ligeira que considerava haver suspeita de fraude na eleição brasileira, uma narrativa típica que ele adota para sua derrota em 2020 para Joe Biden.
Focado nas eleições legislativas da semana que vem, Trump não dedicou muita energia ao tema, contudo. Vários aliados dos Bolsonaros na direita americana, como o ex-estrategista do presidente Steve Bannon, pedem que os EUA cortem relações com o Brasil, o que parece algo distante.
O pai de Flávio e Eduardo, hoje em prisão domiciliar por ter tentado dar um golpe após perder para o mesmo Lula em 2022, também ensaiou uma fuga do alcance judicial brasileiro, passando dois dias na embaixada da Hungria em Brasília em 2024. O país europeu era, na época, governado por seu aliado Viktor Orbán, que deixou o poder neste ano.
