Tarcísio, governadores do Nordeste e Dino despontam para 2030

Terminada a terceira eleição consecutiva polarizada entre petismo e bolsonarismo, a pergunta inevitável é se haverá um quarto round em 2030.

Parece claro que teremos candidaturas competitivas nas duas pontas do espectro político, mas a forma que isso tomará só ficará clara daqui a dois ou três anos.

A esquerda evitou uma derrota traumática com a improvável reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Terá, assim, um pouco mais de tranquilidade para discutir a renovação, após 40 anos dependente de seu líder incontestável.

O presidente certamente seguirá dando as cartas da própria sucessão, mas seu declínio político deve se acentuar nos próximos quatro anos, abrindo espaço para que cresçam novas lideranças.

O sucessor natural parece ser o ex-ministro Fernando Haddad, que deve ganhar novo ministério de prestígio, provavelmente a Casa Civil.

De lá, poderá ter uma função equivalente à de um primeiro-ministro, com influência sobre todas as áreas do governo, incluindo a Fazenda, de onde saiu no começo do ano.

Pesa contra Haddad, no entanto, o currículo de derrotas. Se Lula é tetra, ele também é, somando o revés de 2026 para o governo paulista aos de 2022 (mesmo cargo), 2018 (Presidência) e 2016 (prefeitura da capital paulista). Parece não ser uma alternativa incontestável para projetar uma nova era vencedora para o PT.

Já a ala nordestina da legenda saiu fortalecida na eleição e deve fazer um contraponto interno a Haddad.

Mas seus próceres, como o senador Camilo Santana (CE), o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (BA) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, terão de superar a dificuldade nada trivial de passarem de líderes regionais para nacionais, caso queiram viabilizar uma candidatura presidencial.

Ainda na esquerda, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é sempre lembrado para a disputa de 2030. Mas ele sabe melhor do que ninguém que o PT é exclusivista e resistiria a ceder a outro partido a cabeça de chapa.

Já Flávio Dino, ministro do STF upremo Tribunal Federal que muitas vezes ainda acha que está no Congresso Nacional, dá sinais de ter uma agenda política, ao chamar para si temas como o fim da farra das emendas parlamentares. É um nome frequentemente lembrado no campo da esquerda para voltar à política, se é que dela saiu um dia.

Na direita, surpreendida com uma derrota quando já discutia até a divisão de ministérios, a situação é obviamente de confusão.

Embora frustrado com o revés inesperado, Flávio Bolsonaro (PL) saiu fortalecido da eleição. Contradisse os que duvidavam, até no campo conservador, que ele, inexperiente e envolvido em uma miríade de escândalos, teria condições de fazer frente ao maior líder popular das últimas décadas.

O senador está em condições, portanto, de pleitear uma nova tentativa em 2030, ainda mais sem Lula como oponente. O problema óbvio é que estará sem mandato, o que significa não ter uma plataforma política para se manter em evidência, além de ficar vulnerável a eventuais ações judiciais.

É uma desvantagem que Tarcísio de Freitas não terá, por estar à frente do maior estado do país.

Há sempre a possibilidade de um rompimento dele com o bolsonarismo, mas o governador de São Paulo é um militar de formação e levou a disciplina da caserna para a vida política.

No atual ciclo eleitoral, Tarcísio superou os que duvidavam de seu comportamento e foi um soldado dedicado da campanha de Flávio, após um período de muxoxo por ter sido preterido no “dedazo” do ex-presidente Jair Bolsonaro, no final do ano passado.

Sua lealdade em 2026 será um argumento forte para ser recompensado em 2030 pela família Bolsonaro.

Resta o centro, que praticamente morreu nas últimas eleições. Poderá uma eleição daqui a quatro anos finalmente aumentar as chances de que surja uma “terceira via” minimamente competitiva?

Nomes como o da governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), já vêm sendo lembrados por quem ainda acredita em superar a eterna dicotomia esquerda-direita. Na direita não bolsonarista, Renan Santos (Missão) já sinaliza que tentará de novo.

Não parecem ser as alternativas mais viáveis, no entanto, ao menos aos olhos de 2026.

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