Moraes bloqueia R$ 6 bilhões e cancela passaportes de advogado investigado com Flávio Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de R$ 6 bilhões das contas do advogado Willer Tomaz, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão do ministro foi proferida nesta sexta-feira, 23, dias após virem a público informações sobre movimentação financeira bilionária de Willer Tomaz em apostas esportivas. O Ministério da Fazenda identificou que o advogado foi a pessoa que mais fez aporte em bets no país em 2025, com depósito de R$ 258 milhões e apostas de R$ 5 bilhões. Além dos bloqueios de bens, Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do advogado, sob argumento de que ele viajou para o exterior após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal.

As medidas foram proferidas no segundo inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal contra Flávio Bolsonaro, revelado pelo Estadão no último domingo, 18, que está sob relatoria de Moraes.

O ministro também determinou a quebra dos sigilos bancários e fiscal de Willer Tomaz e de suas empresas, incluindo a Alcazar Holding, e pediu para que as instituições bancárias informem todos os correntistas vinculados a essas contas.

Essas medidas foram determinadas para verificar se o senador Flávio Bolsonaro efetivamente era usuário de contas bancárias vinculadas ao advogado. A investigação da Polícia Federal teve acesso a e-mails nos quais uma funcionária de Willer pede a uma instituição bancária que Flávio fosse descredenciado do perfil de “usuário master” de uma dessas contas.

Uma das suspeitas da PF era que as contas do advogado serviam para ocultar patrimônio e lavar dinheiro para o senador, por isso as medidas foram determinadas.

As movimentações financeiras do advogado estão na mira tanto desse inquérito da PF como da investigação da Operação Sem Desconto, que cumpriu busca e apreensão contra Willer em agosto. Como revelou o Estadão, a PF encontrou uma sala secreta em um hangar da empresa de aviação de Willer que era usada para guardar dinheiro vivo.

Em nota, a defesa de Willer Tomaz classificou as medidas de “desproprocionais” e disse que Flávio nunca movimentou as contas dele.

“As determinações contra o advogado Willer Tomaz são desproporcionais e escancaram uma fishing expedition em pleno período eleitoral. A investigação nasceu da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, com as quais Willer não tem qualquer relação. Sem encontrar nada que o ligasse ao esquema, passou a vasculhar indiscriminadamente sua vida pessoal e profissional em busca de qualquer pretexto para a devassa. O bloqueio de até R$ 6 bilhões é uma cifra aleatória, sem correspondência com seu patrimônio. A suspensão de todas as suas empresas impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação. É falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria “usuário master” de conta da Alcazar. Os dois são amigos, e um nunca movimentou recursos do outro. Não por acaso, uma decisão sob sigilo chega à imprensa a menos de 48 horas do segundo turno. A defesa tenta ter acesso”, afirmou a defesa.

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