
Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-prefeito de São Luís e pré-candidato a governador Eduardo Braide(PSD) não vê vantagem eleitoral em se associar a Lula ou a Flávio Bolsonaro no pleito deste ano no Maranhão. Aliados do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tentaram uma aliança com Braide para levá-lo ao campo governista, mas o antigo gestor municipal não aceitou pedir voto para o petista.
— O que as pessoas querem saber, hoje, não é quem está do lado de qual político, mas quem está do lado delas, do povo. O Maranhão tem o pior desempenho do país em renda das famílias, no desenvolvimento humano, em adultos com nível superior, em condições das estradas, tudo isso cobrando o maior ICMS do país. Há assuntos muito mais urgentes e muito mais importantes a serem discutidos aqui do que direita e esquerda — diz Braide, que opta por destacar entregas nas áreas de infraestrutura, saúde e educação durante a campanha.
Braide, que tenta evitar a nacionalização do pleito buscando distanciamento do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), dividirá o palanque com apoiadores do petista e do bolsonarismo. Disputarão o Senado o ex-ministro do Esporte no governo Lula André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo).
Cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros aponta que o eleitorado “passou a separar com mais espontaneidade o voto para presidente do voto para governador”. O pesquisador avalia que essa dissociação cria oportunidades para o florescimento de lideranças independentes:
— A tendência é que vejamos campanhas cada vez mais regionalizadas no Nordeste, nas quais o eleitor será convidado a avaliar soluções para os problemas locais dos estados, e não quem está mais alinhado a um projeto presidencial.
