Após críticas de Bolsonaro a sistema eleitoral, Sarney defende democracia e Poder Judiciário

O ex-presidente e acadêmico José Sarney, o primeiro civil a governar o Brasil depois da ditadura militar, defendeu a democracia e o Poder Judiciário na solenidade de 125 anos da Academia Brasileira de Letras. Sarney, que desde 1980 ocupa a cadeira 38 da instituição, exerceu a Presidência de 1985 a 1990. Ele foi eleito indiretamente vice-presidente, na chapa encabeçada por Tancredo Neves, escolhida pelo Colégio Eleitoral. Tancredo morreu sem tomar posse.

Em seu pronunciamento na solenidade, o ex-presidente pediu que o País se una em defesa do regime democrático. Também manifestou confiança na lisura das eleições.

“Infelizmente não é só a cultura brasileira que precisa, neste momento, ser defendida”, disse. “Fui o presidente que conduziu a transição democrática, tenho a responsabilidade pessoal de defendê-la. Ela se consolidou pela prática continuada de eleições livres, sob a vigilância segura do Supremo Tribunal Federal.”

Sarney afirmou também que “garantir que o Judiciário exerça em plenitude suas responsabilidades é absolutamente necessário para que a democracia prevaleça”.

“Infelizmente, não é só a cultura brasileira que precisa, neste momento, ser defendida. Fui o presidente que conduziu a transição democrática, tenho a responsabilidade pessoal de defendê-la. Ela se consolidou pela prática continuada de eleições livres, sob a vigilância segura do Supremo Tribunal Federal. Garantir que o Judiciário exerça em plenitude suas responsabilidades é absolutamente necessário para que a democracia prevaleça. O Brasil precisa se unir em torno desse objetivo”, completou.

O pronunciamento do ex-presidente ocorreu dois dias após a reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, na qual o mandatário questionou a lisura da urna eletrônica e das eleições brasileiras. O chefe do Executivo também atacou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em comportamento apontado pela oposição como golpista. O encontro teve má repercussão no Brasil e no exterior, gerando críticas e manifestos em defesa do regime democrático.

Após as alegações sem comprovação do presidente, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da ABIN divulgou um comunicado em defesa do processo eleitoral. Outras entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e associações da Polícia Federal também defenderam o sistema eleitoral brasileiro.

Diversos partidos de oposição como o PDT, o PT, a Rede e o PCdoB acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a exclusão dos vídeos em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece atacando as urnas eletrônicas das redes sociais. Nesta quinta-feira, o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, deu cinco dias para Bolsonaro se manifestar a respeito do pedido feito pelas legendas.

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