MP pede investigação de ex-secretário de Segurança do Maranhão por assédio sexual contra delegada

Estadão- O Ministério Público do Maranhão apontou suspeitas de assédio sexual do ex-secretário de Segurança do Estado Maurício Martins contra a delegada Viviane Fontenelle, da Polícia Civil maranhense, e pediu que a Justiça estadual prossiga com o processo. Procurado, Martins não respondeu. Ele vem negando as acusações.

Em um parecer obtido pela Coluna do Estadão, do último dia 30, a promotora Uiuara de Melo Medeiros concluiu, após ouvir as testemunhas do caso, que há “elementos que confirmam a narrativa inicial apresentada pela delegada Viviane Fontenelle” em relação ao crime de assédio sexual. E encaminhou o documento ao Tribunal de Justiça do Maranhão, para que faça uma audiência preliminar sobre o caso.

Entenda o que aconteceu

No início de março, a delegada acusou o então secretário de Segurança de fazer comentários inadequados sobre ela. Viviane Fontenelle relatou que Maurício Martins a chamou de “delegata” e pediu uma foto dela para exibir em seu gabinete. Isso tudo no meio de uma reunião de trabalho com outros delegados, todos homens.

“Ele começou a proferir vários tipos de gracejos, me chamando de delegata, dizendo que já me observava desde os tempos que eu era do Tribunal de Justiça e que queria uma foto minha para colocar no gabinete dele. Foi uma situação bem embaraçosa e constrangedora, fiquei muito constrangida”, contou à Coluna na época.

Corregedoria arquivou processo contra delegada
Em junho, a Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão arquivou investigação contra a delegada. O órgão abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar Viviane, por um assunto não relacionado à denúncia de assédio feita por ela, no mesmo dia em que ela desabafou nas redes sociais sobre comentários inadequados do então secretário de Segurança.

O PAD a que respondia a delegada da Polícia Civil foi aberto pela Corregedoria no dia 9 de março, e arquivado dois meses depois, em 15 de maio. A justificativa para a abertura do processo era uma postagem que Viviane fez nas redes sociais, após o carnaval, contestando dados da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão.

Na época, a delegada disse à Coluna se sentir “perseguida” e classificou a denúncia como “sem pé nem cabeça”

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