Com R$ 3,4 milhões recebidos, Camarão está entre os que lideram em repasses feitos pelo PT a candidatos ao governo

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) e o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG), que concorrem ao comando dos Executivos de São Paulo e de Minas Gerais, respectivamente, lideram a lista de postulantes ao governo com os maiores repasses enviados pela direção nacional do PT. Lançados como palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos dois maiores colégios eleitorais do país, os dois, no entanto, são desafiados nas pesquisas por adversários de direita que apoiam nacionalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo os valores de repasses declarados pelas campanhas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e descritos no portal DivulgaCand, Haddad recebeu do diretório nacional do PT o aporte de R$ 8 milhões, enquanto Patrus obteve R$ 5,3 milhões.

Abaixo deles, ficaram postulantes como o vice-governador Felipe Camarão (PT-GO), que concorre ao governo do Maranhão, e Luís Cesar Bueno (PT-GO), que disputa o Executivo de Goiás, ambos com R$ 3,4 milhões. Na disputa pela reeleição no Nordeste, região tradicionalmente ligada ao petismo, governadores como Jeronimo Rodrigues, da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, e Rafael Fonteles, do Piauí, nos valores de R$ 1,7 milhão, R$ 1,1 milhão e R$ 771 mil, respectivamente.

Como mostrou o GLOBO, neste ano, o PT terá acesso à segunda maior fatia (R$ 615 milhões) do fundo eleitoral repartido entre os partidos. A sigla planeja destinar 20,64% dessa verba para a campanha de reeleição do presidente Lula e outros 11,70% nas candidaturas aos governos estaduais, com enfoque no Sudeste, onde a disputa presidencial tende a ser mais acirrada.

De acordo com dados da última rodada da Quaest, o presidente tem 30% ante os 29% de Flávio em São Paulo e 31% contra os 30% do adversário em Minas. O levantamento também mostrou Haddad com 27%, enquanto o atual governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem 40%. Já em MG, Patrus contabiliza 11% e fica abaixo do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que registra 35% e declara voto em Flávio.

O PT também prevê que o segundo maior percentual do fundo eleitoral será direcionado para os candidatos à Câmara, que ficarão com 43,06% do valor disponível para o financiamento. O partido, por sua vez, aumentou de 2,48% para 10,08% o percentual reservado para os candidatos ao Senado, com o enfoque em aumentar a bancada na Casa neste ano.

A direção nacional da sigla, por sua vez, delegou aos diretórios estaduais a classificação das candidaturas em três categorias (G1, G2, G3 e G4) para a definição da prioridade para a distribuição dos recursos e acesso à propaganda partidária gratuita na TV e na rádio. A divisão dos repasses, no entanto, tem provocado atritos em diretórios como o de Minas, onde um grupo de candidatos a deputado estadual e federal ameaça recorrer judicialmente após ficar sem acesso aos recursos do fundo eleitoral para o financiamento da campanha.

Ao todo, 25 candidatos, incluindo o presidente do PT em Belo Horizonte, Guima Jardim, têm contestado a decisão do partido de deixá-los sem acesso a verbas e defendido um piso mínimo de R$ 80 mil por candidatura. A reclamação foi estampada em um cartaz estendido durante o evento do partido do qual participou Lula no último sábado, com enfoque no público feminino. “As mulheres da base do PT-MG não aceitam ser tratadas como laranjas”, dizia a faixa.

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