O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem trabalhando para tentar convencer o ministro Dias Toffoli a se licenciar do Supremo Tribunal Federal (STF) sob o pretexto de evitar o surgimento de novas denúncias contra ele. De acordo com interlocutores do presidente ouvidos pela reportagem, Lula tem pedido a pessoas próximas de Toffoli que o convençam a se afastar alegando motivos de saúde e, no médio prazo, a deixar o Tribunal em definitivo.
O presidente tem dito a pessoas próximas ter sido informado de que o que já se tornou público até agora a respeito da relação de Toffoli com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seria apenas um aperitivo do que ainda pode vir à tona.
Apesar do esforço de Lula, porém, Toffoli tem dito a quem o questiona a respeito que não tem nenhuma intenção de se afastar e que não há risco de surgirem mais informações comprometedoras que não estejam no material já apresentado pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao presidente do STF Edson Fachin, em fevereiro.
O documento da PF citava as transações do ministro com o grupo de Vorcaro, que pagou R$ 35 milhões por uma fatia do resort de que Toffoli é sócio. Pressionado pelos pares, o ministro renunciou à relatoria do caso Master, mas Fachin arquivou o processo sobre a suspeição do colega.
Indicado ao cargo por Lula em seu segundo mandato, Toffoli pode, em tese, atuar no Supremo até 2042, quando completa 75 anos e será obrigado a se aposentar.
Ao justificar sua intenção de fazer Toffoli se afastar, Lula tem dito que a PF já sabe de vários outros episódios que podem complicar a vida do ministro e, por tabela, arrastar o STF de volta para o epicentro da crise.
Além disso, uma licença de Toffoli seria uma forma de aliviar a pressão sobre o STF e ajudá-lo a blindar Alexandre de Moraes, também no centro da crise que o Master provocou na Corte por conta do contrato de R$ 130 milhões com o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e pelas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro. Numa delas, Vorcaro pergunta ao ministro se ele “conseguiu bloquear” algo até agora não esclarecido.
Fator Moraes
A aliados, nos últimos dias, Lula tem dito que não pode deixar Moraes descoberto, por duas razões principais.
A primeira é que ele é grato ao ministro pela condução do processo da trama golpista, com a condenação de Jair Bolsonaro e seus ex-ministros e auxiliares. Lula costuma dizer que reconhece que se não fosse Moraes ele muito provavelmente não seria hoje presidente.
A segunda razão para blindar Moraes deriva dessa mesma condição. Lula entende que seu governo está tão associado ao ministro que seria impossível um agravamento da crise não o prejudicar – como já vem acontecendo agora.
Sem contar que Moraes deve assumir a presidência do STF a partir de setembro de 2027 – e portanto estará no comando da Corte se o petista se reeleger.
A medida do estrago
Na semana passada, várias pesquisas de opinião mediram o estrago provocado pelas revelações sobre o envolvimento de Moraes e Toffoli com o dono do Master. À Meio/Ideia, 44% dos entrevistados disseram que candidatos ao Senado Federal que defendem o impeachment de ministros do STF têm maior probabilidade de receber seu voto.
De acordo com a Quaest, 49% dos brasileiros dizem que não confiam no Supremo Tribunal Federal, índice superior ao daqueles que confiam – 43%. Segundo o Datafolha, a desconfiança no STF atingiu um patamar recorde, com 43% dos brasileiros declarando não confiar no STF, o maior índice da série histórica, iniciada em 2012.
É um cenário que ajuda Flávio Bolsonaro (PL) e pode machucar ainda mais a campanha de Lula à reeleição, daí porque o presidente tenta aliviar a crise tirando um dos focos de problemas, Dias Toffoli, do caminho.
Como em tudo na política, porém, o plano de Lula tem seus riscos. Toffoli não quer nem ouvir falar em licença. E embora o diretor-geral da PF tenha afirmado ao presidente que não há mais nada para surgir de novo a respeito das relações entre Vorcaro e Moraes, todos no Planalto sabem que o caso Master está apenas começando. (O Globo)



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Articula, é?
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“Quá quá quá rá quá quá – vou deitar e rolar”
cantaria Elis Regina.