Michelle Bolsonaro diz não ‘se meter’ em crise sobre Flávio e que tem que cuidar do marido

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou à Folha, na tarde desta terça-feira (19), que não está se envolvendo na crise que vive a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde que veio à tona a relação entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Questionada sobre estar acompanhando a situação, Michelle respondeu que não. “Não estou me metendo nisso não. Tenho que cuidar do meu marido”, respondeu.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Mais tarde, à noite, ao deixar o evento de lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia, pré-candidata a deputada federal pelo Distrito Federal, Michelle evitou falar sobre o tema. “O Flávio, você tem que perguntar para ele”, disse ao ser questionada sobre o assunto.

Em seu discurso no evento, Michelle não mencionou Flávio ou falou sobre a eleição para a Presidência neste ano. A ausência da ex-primeira-dama na pré-campanha do enteado é motivo de reclamação no círculo mais ideológico próximo ao senador.

No palco, ela procurou exaltar aliados, como a pré-candidata ao Senado pelo DF Bia Kicis (PL) e o pré-candidato ao Governo do Ceará Eduardo Girão (Novo), a quem Michelle apoia apesar da aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB). “Se tiver que perder, vamos perder com dignidade, mas a gente não vai fazer aliança com o mal”, disse a ex-primeira-dama a Girão.

Michelle, por sua vez, deve concorrer ao cargo de senadora pelo PL no DF, mas a decisão final deve ser tomada apenas nos próximos meses.

Diante da dúvida de integrantes do bolsonarismo e de partidos do centrão de que Flávio teria condições de seguir com a candidatura até outubro, o nome da ex-primeira-dama foi mencionado nos bastidores como alternativa. Até agora, porém, o PL não cogita substituir o senador.

Como revelou o site The Intercept Brasil, o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse” sobre seu pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção. Desde então, Flávio vem tentando conter os danos para a pré-campanha à Presidência e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Nesta terça-feira, Flávio contou a deputados e senadores do PL que visitou Vorcaro em sua mansão, em São Paulo, depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025.

De acordo com interlocutores, Michelle tem evitado se envolver em discussões sobre a crise de Flávio e em reuniões do partido, principalmente no momento em que é vista como possível plano B.

A ex-primeira-dama não embarcou na campanha de Flávio e tem atuado apenas nos bastidores —ela e os filhos do ex-presidente acumulam uma série de atritos, além da rivalidade na disputa pelo espólio eleitoral de Bolsonaro. Segundo aliados do senador, porém, a relação entre eles tem melhorado e há a expectativa de que ela suba em seu palanque mais adiante.

Como mostrou a Folha, a ex-primeira-dama tem se dedicado à rotina de Bolsonaro em casa e reclama de sobrecarga. A atividade política como presidente do PL Mulher e o empenho à própria pré-campanha tiveram que ser redimensionados, mas Michelle ainda trabalha para emplacar suas aliadas na eleição.

Ao justificar sua relação com o então banqueiro, o pré-candidato do PL repetiu que Vorcaro “circulava em todas as rodas em Brasília” e que, na época das negociações para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente, o dono do Master era uma “pessoa acima de qualquer suspeita”.

A Polícia Federal também suspeita que o montante repassado por Vorcaro pode ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025, o que Eduardo e Flávio negam.

Os recursos para o filme, vindos da Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, chegaram a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

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