Paciente agradece ao Socorrão após ser salva e prefeita Esmênia diz que “salvar vidas está muito acima” de disputa política

A manifestação pública da paciente Késia Lima sobre o atendimento recebido no Socorrão, em São Luís, ganhou repercussão após ser compartilhada e comentada pela prefeita da capital, Esmênia Miranda. Em seu relato, Késia afirmou que não consegue simplesmente criticar o hospital pela superlotação e destacou que já foi salva e operada duas vezes na unidade.

Késia reconheceu que o Socorrão enfrenta superlotação e uma demanda elevada, mas chamou atenção para um problema maior: a concentração dos serviços de média e alta complexidade na capital maranhense.

Segundo ela, ambulâncias chegam diariamente de diferentes municípios do Maranhão transportando pacientes que precisam de atendimento de urgência e de maior complexidade. Na avaliação da paciente, o hospital municipal acaba absorvendo uma demanda que ultrapassa os limites de São Luís.

“O Socorrão é um hospital municipal, mas acaba assumindo uma demanda que ultrapassa os limites de São Luís”, afirmou Késia.

A paciente também defendeu a necessidade de fortalecimento da rede regional de saúde para evitar que moradores do interior precisem percorrer longas distâncias em busca de atendimento especializado.

Experiência pessoal

O posicionamento de Késia também foi baseado em experiências familiares. Ela contou que já foi submetida a duas cirurgias no Socorrão e atribuiu à unidade parte importante de sua própria história de sobrevivência.

Ao mesmo tempo, relatou uma experiência dolorosa envolvendo a avó, que morreu após permanecer 25 dias à espera de um leito de UTI no Hospital da Ilha.

“Por isso, minha crítica não é contra o hospital que recebe quem precisa”, escreveu Késia. “Minha crítica é por que ainda precisamos depender tanto de um hospital de portas abertas em São Luís para atender uma população de todo o Maranhão.”

Esmênia: “salvar vidas está muito acima disso”


A publicação chamou a atenção da prefeita Esmênia Miranda, que agradeceu publicamente a Késia pelo testemunho e aproveitou para defender os profissionais e unidades de saúde da capital.

Em seu comentário, a prefeita afirmou que, em momentos de disputa política, “governantes se aproveitam das dores do povo na tentativa de ganhar votos”, mas ressaltou que, na sua visão, a missão de salvar vidas está acima da disputa.

“Nesse momento, governantes se aproveitam das dores do povo na tentativa de ganhar votos, mas salvar vidas está muito acima disso”, declarou Esmênia.

A prefeita também afirmou que os Socorrões e o Hospital da Criança foram alvo de “ataques e difamação” e agradeceu aos profissionais de saúde pelo trabalho realizado diariamente.

Esmênia ainda fez referência à realidade dos pacientes do interior que precisam procurar atendimento na capital. Segundo ela, muitos maranhenses chegam a São Luís em busca de atendimento médico porque não encontram, em seus municípios, uma estrutura que considere digna.

O episódio colocou em evidência uma discussão que vai além da situação específica do Socorrão: a pressão sobre a rede municipal de saúde de São Luís provocada pela concentração de serviços especializados na capital e pela chegada de pacientes de diversas regiões do Maranhão.

Enquanto Késia destacou a importância de não responsabilizar exclusivamente o hospital pela superlotação, sua própria experiência também expôs as dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem da rede pública de saúde em diferentes pontos do Estado.

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