
O ex-senador Roberto Rocha (Novo) revelou, em entrevista concedida na noite desta quarta-feira (3) ao @uq_pdc, que teve papel decisivo na filiação do deputado federal Duarte Júnior ao Avante. Segundo ele, o parlamentar chegou a buscar abrigo no Novo durante a janela partidária, mas teve sua entrada barrada pela direção nacional da legenda.
De acordo com Rocha, a executiva estadual do partido era favorável à filiação de Duarte, contando inclusive com o aval de lideranças locais, entre elas Roberto Rocha Júnior, pré-candidato a deputado federal, e o presidente estadual do Novo, Leonardo Arruda. A resistência, porém, teria vindo da bancada nacional da sigla.
“Eu liguei para o Zema, liguei para Dallagnol, liguei para Van Hattem, liguei para todo mundo para deixar o cara ser filiado”, afirmou o ex-senador ao relatar as tentativas de viabilizar a entrada do deputado no partido.
Diante do impasse, Rocha disse que o Avante apareceu como alternativa viável. Segundo ele, já existiam conversas com dirigentes da legenda em Brasília há alguns meses, mas a articulação foi conduzida de forma discreta para evitar novas interferências.
“Nesse instante, a gente tinha o partido Avante, com quem a gente tinha dialogado meses em Brasília”, declarou.
Duarte Júnior acabou se filiando ao Avante no último dia da janela partidária e passou a figurar como pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026.
Durante a mesma entrevista, Roberto Rocha também voltou suas críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Ao comentar sua saída do PSDB e os bastidores partidários no Maranhão, o ex-senador insinuou que o ex-governador continua exercendo forte influência política no estado.
“Você acha mesmo que Flávio Dino não está na política?”, questionou.
Rocha elevou o tom ao afirmar que Dino atuaria politicamente mesmo ocupando uma cadeira na Suprema Corte. “Ele é político e juiz nas horas de folga”, disparou, argumentando que a participação política de magistrados seria incompatível com o cargo.
O ex-senador também afirmou que o ministro teria influência suficiente para interferir em decisões internas dos partidos. “Basta mandar um recado para qualquer presidente de partido hoje, exceto do Novo, que o cara se caga todinho”, declarou.
Ao final, Roberto Rocha enviou uma mensagem direta ao ministro. “Vem encontrar uma fraude na minha emenda para poder tentar me tirar da disputa e não querer usar um argumento de um discurso na tribuna que fiz denunciando malfeitos do seu governo”, afirmou.
As declarações ampliam a temperatura do debate político no Maranhão e evidenciam o acirramento das articulações que antecedem a disputa eleitoral de 2026.
