
O deputado estadual Carlos Lula (PSB) apresentou o Projeto de Lei nº 216/2026 na Assembleia Legislativa do Maranhão para restringir a publicidade de casas de apostas esportivas e de bebidas alcoólicas em espaços sob domínio do Estado. A proposta surge em meio à Copa do Mundo, período em que a presença das bets nas transmissões, uniformes e redes sociais atinge seu pico de visibilidade.
O projeto proíbe a divulgação de apostas em prédios públicos estaduais, rodovias, transporte intermunicipal, no entorno de escolas e em eventos esportivos, culturais e recreativos realizados ou financiados pelo governo do Maranhão. Também determina que as empresas informem de forma clara os riscos do transtorno do jogo e do superendividamento, além de campanhas permanentes de conscientização.
Os dados que motivaram a proposta são alarmantes. Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 52 milhões de brasileiros já apostaram em bets nos últimos cinco anos. Desse total, 86% têm dívidas e 64% estão negativados na Serasa. Levantamento da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo revela que 63% dos apostadores tiveram parte da renda comprometida, chegando a cortar gastos com supermercado, higiene e até medicamentos.
Para Carlos Lula, a exposição intensa à publicidade das bets representa um risco especialmente grave para crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade. “Não podemos tratar como normal uma atividade que tem levado tantas famílias ao endividamento, ao adoecimento e à perda da estabilidade financeira. Nosso projeto não proíbe as apostas, mas estabelece limites para a publicidade em espaços públicos estaduais e fortalece o dever de informar os riscos envolvidos. É uma medida de proteção à saúde pública, à infância e aos consumidores”, afirmou.
Quem já perdeu tudo conta o impacto das bets
João Paulo, nome fictício usado para preservar sua identidade, é auxiliar de serviços gerais e começou a apostar influenciado pela promessa de dinheiro fácil. O que começou como diversidade virou compulsão em pouco tempo. Ele acumulou dívidas, usou o limite do cartão de crédito, fez empréstimos, perdeu o casamento e deixou de pagar a pensão do filho. Quase foi preso por não conseguir arcar com a pensão alimentar.
Sem recorrer a tratamento especializado, encontrou saída na fé. “Me apeguei muito a Deus. Foi difícil, mas consegui vencer um dia de cada vez”, conta. Hoje evita qualquer contato com plataformas de apostas e faz um alerta direto. “Eu também dizia que tinha controle. Quando a gente perde, acha que vai recuperar na próxima aposta, mas só perde mais. Não vale a pena. Procure ajuda antes que seja tarde.”
